1ª Feira de Negócios para Artesanato Indígena é lançada em Manaus

Quem chega ao Amazonas, além de conhecer as belezas naturais e culturais, também quer levar na bagagem um souvenir característico da região. É assim o roteiro de todo bom turista. Com foco nisso, o Amazonas tem intensificado as ações voltadas para a valorização e promoção dos artesanatos indígenas. Desde outubro do ano passado, já somam 35 ações visando o empreendedorismo indígena, com participação direta e indireta de 43 mil índios.

Nesta terça-feira (04/09), mais um evento marcou o calendário de atividades da Fundação Estadual do Índio (FEI): a 1ª Feira de Negócios para Artesanato Indígena, que reuniu artesãos e empresários de Brasília e de São Paulo para uma rodada de negócios. Realizada na sede da FEI, a Feira reuniu 14 expositores e associações de mais de 60 etnias. A Feira também esteve nos municípios de São Gabriel da Cachoeira com participação de 30 artesãos, Santa Isabel também com 30 e Barcelos com 12.

O empresário Luiz Fernando (50), da loja Mão Brasileira, aprovou o evento. “Uma experiência que deslumbra grandes negócios e parcerias, sobretudo uma experiência de muito aprendizado. Eu acho que minha missão, na minha empresa, é valorizar a cultura material e imaterial do nosso país. Esta experiência demonstra o quanto há de potencialidade e criatividade do povo brasileiro”, frisou.

Segundo a artesã Wall França (56), da etnia Kokama, houve uma grande preparação para que os indígenas chegassem prontos para negociar seus os produtos. “Esses cursos que a gente tem participado através da Fundação do Índio são importantes. É uma oportunidade que os indígenas têm que aproveitar, porque com isso a gente tem possibilidade de mostrar mais os nossos produtos, de aprimorar, de crescer como artesão”, declarou.

A artesã Maria do Nascimento (62), da etnia Sataré-Mawé, revela que antes dos cursos ela não tinha conhecimento de como vender seus produtos. “Eu só entendia da parte de confeccionar em madeira molongó, mas depois dos cursos aprendi a vender melhor e colocar valor no meu trabalho. Agradeço muito as pessoas que me incentivaram a participar desses cursos, porque valeu a pena”.

De acordo com Bonifácio Baniwa, assessor técnico da FEI, nos últimos meses foi oferecido cursos de empreendedorismo, gestão financeira, noções de contabilidade, design das peças, melhoria da qualidade do produto, técnica armazenamento, todos voltados para fortalecer o empreendedorismo indígena. “Os cursos que temos oferecidos em parceria com o Cetam visam a qualificação profissional tanto na área de empreendedorismo quanto na área de inglês e informática. São cursos que preparam nossos indígenas, os empreendedores principalmente, para que eles possam compreender esse mundo de negócios e assim estarem preparados para crescer, agregando valor aos seus produtos, além de mostrar a riqueza e beleza da nossa cultura”, ressalta.

Parcerias – O evento foi realizado em parceria com o Sebrae-AM, com o apoio da Secretaria de Estado de Administração (Sead) e do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Próximas ações – No dia 10 de setembro, serão realizados mais dois cursos de inglês, ministrados pelo Cetam, que irão beneficiar 50 indígenas. A atividade é voltada para os povos indígenas que recebem turistas em suas aldeias. Também está previsto para este mês um curso de informática básica para mais 50 jovens indígenas.

Exposições – Todas as quartas-feiras, os expositores participam do Tacacá na Bossa, no Largo de São Sebastião, e todos os sábados do Projeto Jaraqui, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia). A FEI também irá reativar o Centro de Empreendedorismo Indígena “Yande Murakay”, na sede da Fundação, com previsão de entrega ainda para este ano. O local servirá para exposição e comercialização de produtos indígenas.

População – O Amazonas possui mais de 200 mil indígenas, divididos em 64 povos, espalhados pelos 62 municípios.

FOTO: AGUILAR ABECASSIS/SECOM