A menos de três meses das eleições, porte de armas é tema delicado entre presidenciáveis

Arte - Portal Desacato

O número de registros de arma de fogo para pessoas físicas quintuplicou nos últimos dez anos no Brasil. Os dados da Polícia Federal, obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação pelo Instituto Sou da Paz, mostram que entre 2008 e 2017 a quantidade de armas registradas saltou de 6.260 para 33.031.

Como destaca a coordenadora de Projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, os números podem ser explicados pela sensação de insegurança das pessoas e pela dificuldade de ver respostas efetivas do Estado.

Segundo a coordenadora, as estatísticas mostram que, em geral, as pessoas não conseguem reagir de modo a evitar o assalto ou balear o assaltante. E sempre há a conscientização de manter a legislação do jeito que está. Natália ainda afirma que um cidadão armado não signifca que vai estar em total segurança.

“Uma coisa importante de distinguir é que a gente procura conscientizar as pessoas de que mesmo com a regulamentação que existe hoje, a gente acha que não é recomendado as pessoas adiquirirem armas e acharem que assim vão estar se protegendo. Mas a gente não é contra a possibilidade de venda, a gente defende que mantenha regulamentação de hoje, que condiz com a nossa realidade de violência”.

A menos de três meses das eleições, o porte de armas de fogo entra nos debates dos aspirantes ao Planalto. A Lei do Estatuto do Desarmamento é criticada com frequência e propostas de flexibilização têm sido apresentadas pelos presidenciáveis.

O pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles, declarou em junho, durante evento para empresários do setor de agronegócio, que é de vontade dos produtores possuírem armas para se defenderem de uma eventual invasão, por exemplo, mas afirmou que a liberação para todos os cidadãos pode causar tragédias, a exemplo de brigas de trânsito.

Ciro Gomes, candidato pelo PDT, garante que não será facilitada a posse de arma para ninguém.

O pré-candidato pelo Podemos, Álvaro Dias, afirmou em sabatina do UOL, em maio, que o cidadão quer ter de porte de arma por conta da insegurança pública.

“A incompetência do governo e a corrupção jogam no chão a segurança pública do País, e a consequência é esse desejo da legítima defesa. O cidadão entende que tem que portar arma para se defender legitimamente, e eu não posso negar esse direito”.

Outro candidato que defende o armamento é Jair Bolsonaro, que costuma dizer que é preciso “armar o cidadão de bem“. Bolsonaro defende que o irresponsável é o governo, que desarma os brasileiros e permite que bandidos estejam armados

Reportagem, Juliana Gonçalves

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