Alerta! Doenças associadas à vertigem e enxaqueca podem provocar retardo no desenvolvimento infantil

Crises de ansiedade e pânico também podem ocorrer em crianças

O Torcicolo Paroxístico Benigno da Infância (TPBI) e a Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPBI) são doenças associadas, sendo que a VPBI é a evolução da TPBI. Crises em que a cabeça cai inclinada para um dos lados associadas a sintomas como vômitos, sudorese, palidez e ou batimento rápido dos olhos podem atingir crianças.

A Dra. Jeanne Oiticica, especialista em Otorrinolaringologia e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica a seguir sobre as doenças.

O que é Torcicolo Paroxístico Benigno da Infância?

O TPBI se caracteriza por crises recorrentes em que há a inclinação (lateralização) da cabeça, e que duram alguns dias. Elas cessam por volta dos três anos de idade. Sintomas associados incluem vômitos, irritabilidade, tontura, palidez, incoordenação na marcha, e ou batimento rápido dos olhos, conhecido como nistagmo. Há clara associação entre TPBI e enxaqueca.

E a Vertigem Postural Paroxística Benigna na Infância?

Na VPBI acontecem crises de vertigem na 1ª infância, associada a mal-estar indefinido, enjoo de movimento, náuseas, vômitos, distúrbio visual, mudança súbita de comportamento, agitação, perturbações do sono, dor de cabeça, inabilidade para realizar movimentos coordenados, recusa ao uso de determinados brinquedos, percepções imprecisas da posição espacial ou objetos circundantes, inaptidão para exercícios físicos, quedas frequentes.

As crises duram minutos e se resolvem espontaneamente como se nada tivesse acontecido (ausência de sintomas após a crise). Elas podem ocorrer entre dois e 12 anos de idade, com média de início aos 6 anos de idade.

Há estatísticas sobre as doenças?

Ambas doenças podem ter impacto direto com retardo no desenvolvimento motor, prejuízos no equilíbrio, linguagem escrita e habilidade de leitura. A incidência de tontura e vertigem entre menores, em idade escolar, é de cerca de 15%. Já a VPBI responde por cerca de 20% destes casos. Os menores afetados podem cursar com distúrbios psíquico, atraso escolar, ansiedade e pânico.

Quais as causas, pode ser hereditário?

A doença é de origem genética por mutação no gene (CACNA1A) dos canais de cálcio dos neurônios destes pacientes, e tem sido associada com a Ataxia Episódica e Enxaqueca Hemiplégica Familiar. Estas crianças possuem incidência elevada de casos de enxaqueca na família.

Há tratamento?

Sim, podem ser indicados medicamentos, reabilitação vestibular, dieta, exercícios físicos. Além do que se recomenda evitar os gatilhos (como privação do sono, abusos alimentares e o estresse).

A tendência é desparecer na vida adulta?

Boa parte destas crianças evolui com enxaqueca na vida adulta, e a história familiar de enxaqueca entre demais membros da família é bem prevalente.

Perfil Dra. Jeanne Oiticica

Médica otorrinolaringologista concursada do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP.

Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Chefe do Laboratório de Investigação Médica em Otorrinolaringologia (LIM-32) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Responsável pelo Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.