Alfredo da Matta celebra 63 anos com nova estrutura de laboratórios

O próximo dia 28 de agosto marca a celebração dos 63 anos da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e que atua no combate a doenças tropicais de interesse sanitário, em especial a Hanseníase.

Para comemorar a data, acontece na próxima terça-feira (28/08), das 8h às 10h, no auditório Damião Litaiff (sede da Fuam), na avenida Codajás, bairro Cachoeirinha, zona sul de Manaus, um evento de apresentação da nova estrutura laboratorial da instituição, espaço que passou por reformas e modernização, ampliando a estrutura para oferta de exames laboratoriais, realização de pesquisas e treinamentos em saúde.

A Gerência de Laboratórios da Fuam foi totalmente reformada. Agora, conta com sete laboratórios – de Análises Clínicas; Micologia; Imunologia; Micobacteriose; Bacteriologia; Histopatologia e Citologia; e Biologia Molecular. Possui, ainda, duas salas de esterilização e cinco de coleta, localizadas em área de atendimento ao público. A reforma foi realizada com recursos do Ministério da Saúde e a aquisição de mobiliário contou com investimentos do Governo do Estado.

A cerimônia de comemoração dos 63 anos da Fuam também será marcada pela apresentação de oito novos aprovados para o Curso de Mestrado Profissional em Ciências Aplicadas à Dermatologia, para o ano acadêmico 2018, e de novos médicos, convocados este ano pelo concurso público da Susam. São profissionais que irão reforçar o quadro de servidores e pesquisadores da unidade.

Também serão concedidas homenagens a servidores que contribuem para a história da Fuam. Esses profissionais foram escolhidos para representar o corpo de funcionários que se dedica diariamente a prestar assistência à população, na unidade.

Fuam: 63 anos dedicados à população – A Fuam nasceu como Dispensário de Lepra, por meio de convênio entre o Governo estadual e federal. O Dispensário Alfredo da Matta foi inaugurado num prédio pequeno, no bairro da Cachoeirinha, que ficou conhecido como “Casa Amarela”. O nome foi uma homenagem ao médico sanitarista Dr Alfredo da Matta, um dos pioneiros a trabalhar no controle e tratamento da doença no Amazonas.

Até metade da década de 70, doentes de Hanseníase eram trazidos para Manaus, passavam pelo Dispensário para registro e depois eram encaminhados para a Colônia Antônio Aleixo. Com a desativação da Colônia, em 1978, o Dispensário Alfredo da Matta ampliou sua atuação para prevenção e reabilitação de deformidades causadas pela Hanseníase, intensificando o atendimento ambulatorial. Em 1982, por meio de decreto, torna-se Centro de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta, dando assistência, além da Hanseníase, a doenças dermatológicas e sexualmente transmissíveis.

Em 1992, o Ministério da Saúde reconheceu as contribuições para a Dermatologia Sanitária dadas pela Fuam e a credenciou como Centro de Referência Nacional para o Programa Nacional de Controle e Eliminação da Hanseníase e outras Dermatoses de interesse sanitário.

Em 1998, por meio de Lei Estadual, passou a ser uma Fundação de Direito Público. Assim, mudou o nome para Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta. Neste ano, a Fuam também foi credenciada como Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde / Organização Pan Americana de Saúde (OMS/Opas) para Controle, Treinamento e Pesquisa em Hanseníase para as Américas.

Monitoramento da Hanseníase – O combate à Hanseníase ainda é a principal atividade da Fuam, unidade que é referência nessa área. A cada ano as ações para controle desta doença são intensificadas em todo Estado, vencendo barreiras geográficas e chegando até o interior.

Com apoio dos municípios são realizadas as ações de monitoramento das atividades de combate à Hanseníase, intensificação da busca de novos casos da doença, qualificação de profissionais de saúde para o diagnóstico, tratamento, prevenção de incapacidades e autocuidado em pacientes. Também são realizadas cirurgias preventivas e corretivas, além de atendimentos em mutirões de saúde, como exames dermatológicos e consultas médicas.

Os profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos e outros – são treinados e recebem atualização em Hanseníase periodicamente, seja em cursos presenciais ou via Telessaúde, na modalidade ensino à distância.

Em 2017, pela primeira vez na história da Fuam, todos os municípios amazonenses foram visitados por equipes da instituição, meta que deve se repetir neste ano de 2018, já que até o mês de agosto, 45 municípios já foram visitados e os demais já estão na agenda para o segundo semestre.

Ensino e Pesquisa – A Fuam também tem como missão desenvolver atividades de ensino e pesquisa, em suas áreas de atuação, especialmente em Hanseníase.

A instituição já está na segunda turma do Curso de Mestrado Profissional em Ciências Aplicadas à Dermatologia, uma parceria que deu certo com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Em 2018, por exemplo, foram 68 candidatos concorrendo a oito vagas. A turma iniciada em 2017 deve formar a primeira turma de mestres em 2019.

Outro destaque desta área é o Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que viabiliza bolsas de iniciação científica para jovens estudantes desenvolverem projetos de pesquisa em saúde.

Com 21 projetos de pesquisa em fase de execução – além de outros em aprovação e implementação – a Fuam tem estudos em áreas como novas drogas e resistência medicamentosa em Hanseníase, tratamento da Leishmaniose Tegumentar Americana, dentre outras.

Assistência ambulatorial – Além da Hanseníase, a Fuam também atende pacientes nas áreas de Dermatologia Tropical, câncer de pele e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST e Hiv/Aids).

Um dos destaques do atendimento ambulatorial neste ano de 2018 é o Serviço de Atendimento Especializado (Sae) – HIV/Aids, que assiste atualmente 582 pacientes. No Sae – Fuam o paciente realiza o exame para diagnóstico e caso o resultado seja positivo, dá-se início ao acolhimento com consultas de enfermagem, psicossocial e médica, para então iniciar o tratamento com os medicamentos adequados.

Todos os meses são cerca de 30 diagnósticos de Hiv/Aids na Fuam, que também é Centro de Testagem credenciado pelo Ministério da Saúde. A maioria destes pacientes decide iniciar o tratamento na própria unidade.

FOTO: DIVULGAÇÃO/SUSAM