Alunos do SESI saem da EJA direto para a faculdade

O SESI Amazonas concluiu nesta sexta-feira (29) mais uma turma de ensino médio, da educação de jovens e adultos (EJA), com cerca de 30 alunos, e começa, já a partir de segunda (2 de julho) a matricular novas turmas para o segundo semestre. A EJA é uma modalidade da educação básica destinada a quem tem a partir de 15 anos de idade e não conseguiu estudar ou concluir os estudos na idade própria. As matrículas vão até 20 de julho, na Escola SESI Émina Barbosa Mustafa (Alameda Cosme Ferreira, 3295, São José).

Voltar a estudar para ensinar o filho nas lições de casa foi a motivação que levou o eletricista Pitigliany Oliveira dos Santos, 52, a retornar a uma sala de aula mais de 30 anos depois de ter abandonado os estudos. Nesta semana, após um ano e meio frequentando regularmente as aulas da EJA, do SESI, o aluno que virou referência para os colegas e professores conseguiu não só concluir o ensino médio, mas também aprovação para fazer uma faculdade.

Assim como a maioria dos outros 30 concluintes, Pitigliany fez parte das primeiras experiências do Projeto Nova EJA, que vem sendo implantado pelo SESI em todo o país. Trata-se de uma metodologia que permite reduzir a grade horária com base no reconhecimento de saberes prévios e com um currículo mais conectado à realidade profissional dos alunos. De acordo com a gerente de EJA do SESI no Amazonas, Patrícia Bezerra, com o “Reconhecimento de Saberes” a instituição pretende combater um dos grandes problemas da modalidade, a evasão escolar, que chega a 90% na rede pública.

Amazonense, nascido em Manaus, Pitigliany dos Santos havia abandonado os estudos aos 14 anos quando já estava indo para a 7ª série do ensino fundamental. Na época, era sua única opção, como filho mais velho, largar os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família. Agora, depois de conseguir uma bolsa de estudos na faculdade Fametro, ele está ansioso para começar, em agosto deste ano, o curso de Logística, o mesmo iniciado pelo filho no semestre passado.

Sair da EJA direto para uma faculdade também era o sonho de outro formando veterano, o mato-grossense Benedito Ezio Bueno Cintra, 46 anos, que decidiu voltar a estudar depois de ver uma propaganda do SESI na TV. “Hoje o ensino está muito diferente, tornou muito mais fácil estudar”, diz ele, lembrando das dificuldades que teve há mais de 20 anos, no interior do Estado do Mato Grosso.

Da experiência como aluno da Nova EJA do SESI, Benedito, que também concluiu o curso nesta semana, destaca a qualidade dos professores, que o incentivaram inclusive a realizar o sonho de fazer a faculdade de Farmácia, pela Unip.

Esforço pessoal

Depois de mais de 20 anos parado, o amazonense Avelange Albuquerque Lemos, 43 anos, resolveu voltar a estudar em 2016, motivado pela adesão da empresa onde ele trabalhava, a RD Engenharia, ao programa de educação de jovens e adultos do SESI. Conseguiu concluir o curso em um ano e seis meses, agora vai fazer a prova do Enem e depois tentar fazer a faculdade de Educação Física.

Para Avelange, é preciso um esforço muito grande para começar, mas depois, com as primeiras aulas, você começa a acreditar que vai valer a pena. “Os professores do SESI são muito pacientes e se dedicam bastante ao aluno”, diz o aluno.

Segundo Patrícia Bezerra, o SESI conta atualmente com 27 professores treinados para atuar exclusivamente com turmas da EJA. “Esse professor precisa ter um perfil para trabalhar com esse público adulto que, normalmente, passa o dia trabalhando, e preciso de motivação constante”, diz ela.