Após apagar perfis e contas ligadas ao MBL, decisão do Facebook gera polêmica

A decisão do Facebook de apagar 196 páginas e 87 perfis pessoais no Brasil gerou polêmica nesta semana. Apesar de não ter divulgado a lista completa, parte dos perfis excluídos eram ligados ao Movimento Brasil Livre, o MBL.

Em comunicado oficial, o Facebook alegou que as páginas excluídas infringiram as políticas de autenticidade e formavam uma rede coordenada que “tinha o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Os integrantes do movimento, entretanto, alegam que as acusações são infundadas e que estão sendo alvo de uma perseguição política por defenderem ideais de direita.

A situação causa mais alarde por conta da proximidade das eleições, marcadas para outubro deste ano.
A especialista em Direito Digital Karina Kufa acredita que o eleitor precisa estar atento às fontes das notícias que aparecem nas redes sociais e explica como identificar um perfil falso.

“Através do IP, é perfeitamente identificável da onde surgiu, da onde foi cadastrado, da onde foi utilizado aquele perfil. Qual o problema? Aí vem um problema enorme da Justiça Eleitoral: controlar as fake news. Como que vai chegar a uma determinada pessoa se o computador utilizado foi em rede pública ou em uma lan house? Aí fica realmente impossível de identificar esse perfil fake”

Karina Kufa ressalta ainda que muitos perfis falsos podem ser controlados por robôs e também por pessoas pagas exclusivamente para controlar essas páginas.

“Tem pessoas que são pagas para administrar 10, 20, 30 perfis, então isso acontece. A gente já viu isso inclusive em filmes, relatando isso. E essa é a preocupação, apesar da gente ter o mínimo de cuidado. ‘Ah, deixa eu ver esse perfil, o nome está estranho, a foto está estranha, ele não tem muita informação pessoal, só matéria criticando determinado político’. Se tem um perfil assim, eu imagino que seja fake, então elimina, não aceita o convite e se tiver me atacando tem como denunciar.”

No caso que envolve o MBL, o procurador da República Ailton Benedito, do Ministério Público Federal de Goiás, solicitou que o Facebook divulgue a lista completa das paginas e perfis apagados num prazo de 48 horas. Até a tarde desta quinta-feira (26), nenhum dado havia sido divulgado.

Reportagem, Larissa Lago