Atividades educativas e Virada Sustentável marcam aniversário de 64 anos do Inpa

Sexta a domingo o Bosque da Ciência estará com entrada gratuita. Programação é variada, com destaque para as atividades de popularização ciência, educação ambiental e da Virada Sustentável. Haverá até show baseado em sons de formigas

Música, teatro, oficinas e exposições vão marcar o aniversário de 64 anos de implantação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). De sexta a domingo (27 a 29), o espaço de visitação pública do Instituto, o Bosque da Ciência, estará com entrada gratuita e repleto de atividades para todas as idades, com destaque para a Virada Sustentável, no sábado e domingo.

Criado em 1952 e implementado em 27 de julho de 1954, o Inpa é referência mundial nos estudos sobre a biodiversidade e processos ecológicos fundamentais da Amazônia. Entre as pesquisas estão as de mudanças climáticas e as que aliam bem-estar social e inovação tecnológica, como o purificador de água (Água Box), a criação de peixes em canais de igarapé, tecnologias voltadas para o tratamento de malária, dengue e leishmaniose, além de soluções técnicas e econômicas viáveis para a agricultura da região.

De acordo com o Coordenador do Bosque da Ciência, Alexandre Buzaglo, a proposta é trazer a comunidade para mais perto das atividades ambientais, mostrando a importância das pesquisas desenvolvidas a favor da Amazônia e do meio ambiente. “Também queremos intensificar nossa aproximação da sociedade civil por meio de atividades desenvolvidas ou como voluntário na virada sustentável atuando na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada”, disse Buzaglo.

Na sexta-feira, o visitante encontrará uma programação mais científica e educacional, com as atividades oferecidas pelo próprio Inpa, como se faz no projeto de popularização Circuito da Ciência. Nas exposições e oficinas estão fabricação de papel reciclado a partir de reutilizáveis, mamíferos aquáticos (peixe-boi e ariranha), malária e dengue, leishmaniose, invertebrados terrestres vivos, macrofungos, invertebrados terrestres vivos (aranhas), visita e vídeos no Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia (Cequa).

Para a 4ª edição da Virada Sustentável Manaus, a programação está mais variada contando com atividades do Inpa e de artistas que escolheram o Bosque da Ciência como ponto de apresentação. A Virada é promovida pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em parceria com um Conselho Criativo formado por mais de 40 organizações.

Na Virada Sustentável de 2017, o bosque foi sucesso de público recebendo mais de 5 mil pessoas. Na oportunidade, os participantes do evento ajudaram com o grafite colaborativo que deu “cara nova” ao muro externo do Bosque da Ciência. Além das atividades, o espaço é repleto de atrativos, como peixe-boi, ariranha, Ilha da Tanimbuca (árvore de 600 anos), peixes, quelônios, Casa da Ciência, lago dos jacarés, macaco, preguiça, cotia e trilhas diversas.

Neste ano, serão cerca de 20 atividades da Virada Sustentável no Bosque da Ciência do Inpa. Entre elas oficinas de educação ambiental, aves amazônicas, feira arte em movimento, oficina de autoconhecimento e mandalas, plantio de mudas, vivência Hare Krishna, apresentação do biodecompositor doméstico, yoga ao por do sol, Jogos educativos com materiais recicláveis e o Uau Show, que será apresentado pelo programa de residência artística LabVerde do grupo Manifesta Arte e Cultura.

O Bosque da Ciência do Inpa fica na rua Bem Te Vi, s/nº (antiga Otávio Cabral), bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus (AM). O espaço está aberto para visitação de terça à sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h (entrada). Sábados, domingos e feriados fica aberto das 9h às 16h. Segunda-feira é fechado para manutenção.

“Uau Show” – Sons das formigas

“UAU Show” é baseado na pesquisa da musicista e bióloga Lisa Schonberg, em parceria com o entomólogo Fabrício Baccaro e Erica Valle, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sobre o ambiente sonoro das formigas. A apresentação de 45 minutos acontece no sábado (28), às 15h, na Ilha da Tanimbuca.

Iniciada durante a residência artística LabVerde, Lisa documentou o ambiente sonoro de inúmeras espécies de formigas da Amazônia para uma investigação científica, em desenvolvimento, sobre como as formigas se comunicam por meio dos sons.

O ambiente sonoro das formigas também serviu como base para a criação de composições do “Uau Show”, que será interpretado pelos músicos americanos Lisa Schonberg e Anthony Brisson, em parceria com os músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas Leonardo Pimentel e Andrio Dias.

As formigas fazem um trabalho vital para a manutenção das funções do ecossistema amazônico: dispersão de sementes, predação, decomposição – que, por sua vez, são cruciais para a regulação do clima global.

“Ao ampliar os sons das formigas, talvez os ouvintes sejam capazes de se relacionar melhor com esses insetos tão importantes para o ecossistema. Ouvir as formigas pode gerar empatia e nos encorajar a fazer nossa parte no combate às mudanças climáticas?”, questiona Lisa, que depois do show ministrará uma oficina sobre os sons dos insetos e a importância das formigas para o equilíbrio ecológico da Floresta Amazônica.

As composições: Atta é baseado nas gravações de formigas cortadeiras; Multiespecies é uma colagem de apenas sons de formigas; Superfície do Abismo em Ducke representa a escuta passiva da paisagem sonora diurna penetrante da Reserva Ducke; Terra Firme é a reinterpretação sonora para esse tipo de Floresta.

Da Redação – Ascom Inpa e LabVerde

Foto: Karen Canto – Acervo Inpa e – LabVerde