Auto-boicote imunológico: molécula agrava os efeitos da dengue e pode ser a chave na busca de tratamentos mais eficazes contra a doença

Cápsula do vírus da dengue (topo) e a conformação da glicoproteína do envelope envolvida na fusão da membrana.

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) acabam de publicar um estudo, em parceria com universidades do Brasil, França e Reino Unido, que revela detalhes importantes e curiosos sobre como nosso sistema imunológico reage ao constatar a presença do vírus da Dengue.

O estudo mostra que a molécula Interleucina-33 (IL-33), reconhecida por alertar o sistema imunológico para ações que precisam ser desencadeadas para o combate de várias doenças, especificamente no caso da Dengue, gera uma reação “exagerada” de células pró-inflamatórias, que acabam por agravar os sintomas, sobrecarregar os mecanismos de defesa e consequentemente enfraquecem o corpo e dificultam a recuperação do paciente.

A IL-33 é uma molécula solúvel que circula pelo corpo. Quando entra em contato com a molécula ST-2, que atua como receptor na superfície das células, desencadeia efeitos biológicos que podem ser considerados positivos ou negativos.

A molécula IL-33 é uma importante sinalizadora de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2 e infecções de parasitas como a Leishmaniose e Toxoplasmose e essa reação “exagerada”, que sobrecarrega o sistema imunológico, já foi observada também em doenças como asma, artrite reumatoide e Doença de Crohn, uma inflamação crônica que causa dores abdominais e diarreias.

O estudo publicado na revista internacional Immunology descreve testes com camundongos geneticamente modificados, sem os receptores ST-2 da molécula IL-33, que tiveram sintomas amenizados e, segundo o pesquisador Rafael Elias Marques, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), abre caminho para desenvolvimento de fármacos capazes de bloquear a recepção dessa molécula e tratar com mais eficiência e rapidez a doença.

Sobre o CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Localizado em Campinas-SP, possui quatro Laboratórios Nacionais – referências mundiais e abertos às comunidades científica e empresarial. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) opera a única fonte de luz síncrotron da América Latina e está, nesse momento, construindo Sirius, o novo acelerador de elétrons brasileiro; o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) atua na área de biotecnologia com foco na descoberta e desenvolvimento de novos fármacos; O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE) investiga novas tecnologias para valorização e transformação de materiais agroindustriais em bioprodutos com ênfase em biocombustíveis; e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) realiza pesquisas científicas e desenvolvimentos tecnológicos em busca de soluções baseadas em nanotecnologia.