Bolsas derretem e dólar retoma alta

Confia a análise do Economista-Chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira

A bolsa de Xangai caiu 2,08% e é um exemplo do sentimento geral dos mercados acionários. O recrudescimento das tensões na Turquia mostra o potencial que a ofensiva dos EUA tem para criar incertezas. A reação do governo turco, de taxar as importações de produtos americanos, não deve produzir estragos na maior economia do planeta, mas mostra o aumento dos problemas em uma região sensível para o equilíbrio global. A grandes mineradoras e siderúrgicas globais caíram mais de 3% e as petroleiras pouco mais de 1%. O dólar voltou a subir em relação ao euro e às moedas emergentes.

Aqui no Brasil, o índice futuro caiu mais de mil pontos e o dólar opera em alta de 1%. Ainda que o noticiário político se mantenha moderado, o mercado deve acompanhar o exterior, devolvendo uma parte dos ganhos dos últimos dois pregões. Os juros mais longos voltaram a subir, essa alta só não é maior por conta dos dados de inflação, divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, e de atividade, divulgados pelo BCB. O IGP-10 mostrou que o IPA se mantém alto, mesmo com a desaceleração da economia. Os agropecuários voltaram a subir (+0,42%) depois da queda de junho (-0,83%). No ano, o IPA acumula alta de 8,45% e só não deve preocupar por conta do elevado hiato do produto. O índice ao consumidor ficou em 0,14%, bem comportado, com destaque para alimentação, que caiu 0,37% e acumulou alta de 2,57% no ano. O IPC acumulou alta de 3,27% no ano e 4,09% em doze meses. Esse processo de acomodação dos preços reflete o estado da economia, de crescimento muito baixo, após um longo ciclo de queda. O Banco Central tem mais um indicador importante para confirmar que após o choque de maio, a inflação voltou a um patamar abaixo da meta.

O índice IBC-Br subiu 3,29% em junho, em relação a maio. Com esse dado, o indicador mostra a quase total recuperação dos efeitos da greve sobre a atividade econômica do país. O índice do Banco Central estava em 137,97 no final de abril, caiu para 133,44 em maio e voltou a subir para 137,83 em junho, um pouco abaixo do que estava antes do choque. A média do segundo trimestre mostra uma forte queda em relação ao primeiro, de 1%, o que deve impactar nas projeções do PIB para 2018. Esse indicador também confirma as expectativas do Banco Central de que a economia está se recuperando, mas em ritmo muito lento.

Sobre a Nova Futura Investimentos

Sócia-fundadora da BM&BOVESPA, a Nova Futura Investimentos, corretora instituída no ano de 1983, atua nos mercados de commodities, renda fixa, renda variável e seguros. Com uma presença nacional de destaque, a instituição financeira conta com 21 escritórios espalhados por diversas cidades do país.

Em março de 2016, começou seu plano agressivo de expansão para o segmento de varejo, mercado no qual ainda não atuava e, recentemente, assumiu os clientes da parceira PAX, do Grupo Pague Menos, ampliando sua carteira para 16.000 clientes.