Brasileira de Recife é selecionada para programa na Finlândia para jovens jornalistas

A Finlândia é um dos pioneiros na questão de igualdade de gênero ao lado da Dinamarca, Noruega e Suécia. Aqui no Brasil, as Embaixadas dos 4 países, junto com o Instituto Cultural da Dinamarca, integram o projeto Diálogos Nórdicos para fomentar discussões sobre o tema

Luísa Ferreira dos Santos foi a única brasileira escolhida para participar do programa para jovens jornalistas Foreign Correspondents Program (FCP), do qual fazem parte 16 representantes de 16 nacionalidades diferentes. Luisa, de 29 anos, se formou pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2011 e já está na Finlândia, um dos países mais avançados na questão de Igualdade de gênero.

“Visitei uma grande empresa de tecnologia, como parte do programa, e o quadro de funcionários era igualitário entre homens e mulheres. Foi uma surpresa, já que essa área é dominada por homens”, conta a brasileira, que escreve o blog de viagens Janelas Abertas.

Luisa, que ficará na Finlândia por três semanas, também fez visita a uma escola pública, em que a consciência e a preocupação com a igualdade de gênero se fazem presentes. “Não havia, por exemplo, separação entre filas de meninos e meninas como acontece no Brasil”, relata.

Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia são reconhecidas pelos avanços na área da igualdade de gênero e têm trabalhado para estruturar suas sociedades de forma a combater qualquer tipo de desvantagem. Aqui no Brasil, as Embaixadas dos quatro países e o Instituto Cultural da Dinamarca formaram o projeto coletivo Diálogos Nórdicos, que tem o objetivo de discutir os desafios atuais da igualdade de gênero, promover o engajamento e servir de fonte de inspiração a brasileiras e brasileiros por meio das experiências da região nórdica.

“Precisamos discutir a igualdade de gênero não só no Brasil, mas na América Latina toda”, diz Luisa, que já viajou para vários países e hoje se dedica exclusivamente a escrever para seu blog de viagens. “A sociedade brasileira é desigual em muitos setores. Aqui na Finlândia, notamos a preocupação com a inclusão da mulher. É um exemplo para a gente se espelhar.”

MODELOS NA EDUCAÇÃO

Dinamarca

O país é o segundo do mundo a investir mais em Educação, ficando atrás somente do Reino Unido, segundo a OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Como consequência, o índice de escolaridade da população é um dos mais elevados entre os países escandinavos, e os que têm grau universitário ganham salários 56% mais altos que aqueles não possuem. Ao mesmo tempo, se um dos ou ambos os pais têm um título, seus filhos têm mais chances de terem um título também.

Finlândia

O país dá atenção especial ao potencial de cada aluno e aluna, sendo a orientação educacional vista como essencial para ajudá-los na escolha sobre seus estudos e as carreiras que desejam seguir. Nas escolas, os professores têm autonomia para decidir sobre os métodos de ensino, assim como os livros e materiais usados em sala de aula. No pré-primário e na ensino básico, os livros, as refeições e o transporte para alunos que vivem longe das escolas são gratuitas. A Finlândia é uma das nações que mais apoia a igualdade de gênero, inclusive citada na Constituição do país.

Noruega

Os incentivos à igualdade de gênero no sistema educacional são prioridade na Noruega desde 1974, quando foi mencionada pela primeira vez no Plano Nacional de Educação. Livros que questionam os estereótipos de gêneros podem ser encontrados em alguns jardins de infância e medidas como esta acabam se refletindo no social: estudos comparativos mostram que meninos na escola primária são muito mais pessoais com os colegas e, às vezes, mais carinhosos — ser gentil é percebido como mais importante do que ser forte. Promover a igualdade de gênero em creches e escolas é visto como crucial para alcançar uma sociedade igualitária.

Suécia

O país incentiva meninas e meninos a terem as mesmas oportunidades de educação, de estudo e de desenvolvimento pessoal desde a pré-escola até o ensino superior. A Lei da Educação afirma que a igualdade de gênero deve orientar todos os níveis escolares, sendo cada vez mais incorporado, em parte por meio de métodos de ensino que contrapõem os padrões e papéis tradicionais de gênero. As meninas suecas costumam ter notas mais altas, vão melhor em exames nacionais e concluem o ensino médio mais do que os meninos.

O que são o Diálogos Nórdicos

O projeto Diálogos Nórdicos – uma iniciativa conjunta entre as Embaixadas da Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia no Brasil e do Instituto Cultural da Dinamarca – tem o objetivo de discutir desafios atuais, promover o engajamento e servir de fonte de inspiração a brasileiras e brasileiros por meio do diálogo sobre perspectivas e experiências da região nórdica.

Tendo como princípio norteador a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, os temas anuais dos Diálogos Nórdicos se relacionam intrinsecamente às Metas de Desenvolvimento Sustentável. Assim, o primeiro Diálogos Nórdicos, de 2018, promoverá maior igualdade de gênero. Em 2019, abrangerá o fortalecimento da confiança entre instituições e indivíduos. Em 2020, vai centrar suas discussões no crescimento responsável e sustentável.