Com a benção de caciques, MDB oficializa Meirelles como candidato ao Planalto nesta quinta (2)

40 dias após o MDB lançar Henrique Meirelles na corrida presidencial, o partido oficializa nesta quinta-feira (2) o nome do ex-ministro como candidato ao Planalto. Mesmo com algumas resistências isoladas na própria sigla, Meirelles chega forte à convenção nacional e com apoio maciço dos emedebistas, incluindo o presidente Michel Temer.

O MDB espera que até mil pessoas prestigiem a convenção nacional da legenda, que ocorre em Brasília. Desde que foi anunciado como pré-candidato, Meirelles rodou o país, encontrou líderes de vários setores e se apresentou como o “homem que tirou o país da crise por duas vezes”. A trajetória de destaque como presidente do Banco Central e ministro da Fazenda, inclusive, virou letra de seu jingle “Chama o Meirelles”.

Para o líder do MDB na Câmara, deputado federal Baleia Rossi, Meirelles é o candidato mais preparado e tem chance de decolar na campanha nos próximos meses.

“É o mais preparado, é o mais qualificado. É um homem que dedicou a vida pelo desenvolvimento do Brasil. É um homem que já foi presidente do banco mundial (presidente mundial do BankBoston), brasileiro que honrou nosso país lá fora, tem todas as qualidades para ser presidente da República. A pesquisa que vale é a eleição. No dia 7 de outubro, chama o Meirelles”.

Na visão do ministro Moreira Franco, de Minas e Energia, Henrique Meirelles como presidente será um passo importante em direção à retomada do crescimento e da geração de empregos. O ministro ressaltou ainda que essa é uma eleição atípica, já que os postulantes ao Planalto têm adotado discursos radicais e que pouco apresentam propostas e soluções aos brasileiros.

“É neste ambiente que nós estamos com a responsabilidade de enfrentar uma campanha eleitoral. E nessa campanha eleitoral, nós não temos muitas alternativas porque os candidatos, a exceção do nosso, não apresentam suas propostas para o Brasil. São citações, representações que traduzem muito mais o estado de radicalidade, de acusações, do que propriamente soluções para os problemas que nós estamos vivendo”.

Na prévia da convenção, em discurso a lideranças jovens do MDB, o senador Romero Jucá, presidente nacional do partido, reafirmou o apoio a Meirelles e disse que o ex-ministro representa uma nova página da política brasileira.

“Nós estamos lançando candidatura própria porque seria covardia se a gente fosse se esconder e apoiar outros candidatos. O ministro Meirelles é um candidato íntegro, preparado e pode surpreender. Gosto sempre de lembrar que essa pesquisa que está aí se refere a 46% do eleitorado. 54% não tem candidato à presidente ainda. Portanto, é uma eleição aberta, que nós vamos disputar para valer”.

Apesar das críticas de setores do MDB, lideradas pelo senador Renan Calheiros, a expectativa do partido é de que Meirelles não tenha problemas para ter seu nome chancelado na convenção e que conseguirá cerca de 450 votos dos delegados. Se oficializado, essa será a primeira vez, desde Orestes Quércia, em 1994, que a sigla apresentará um nome à presidência da República.

Goiano de Anápolis, Henrique Meirelles é um dos economistas mais respeitados do país. Com carreira no mercado financeiro, trabalhou por quase 30 anos no BankBoston, chegando a ser presidente internacional da instituição, uma das mais importantes do mundo.

Meirelles entrou na vida pública em 2002, quando foi eleito o deputado federal mais votado do estado de Goiás. Mais tarde, convidado pelo ex-presidente Lula, comandou o Banco Central, entre 2003 e 2010. Até abril deste ano, esteve no comando do ministério da Fazenda, onde chefiou a retomada da estabilidade econômica do país, após a crise política e financeira de 2015 e 2016.

Reportagem, Tácido Rodrigues

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