Competência técnica ou comportamental: o que é mais importante na hora de conquistar um emprego?

Por Alessandra Vieira Martins

Através do seu comportamento o ser humano expressa características da sua personalidade, mesmo que de forma inconsciente. Antigamente, demonstrar sentimentos não era bem visto no ambiente de trabalho, especialmente se a demonstração partisse de funcionários do sexo masculino. Esses tinham que se mostrar duros na queda. Capazes de manter o equilíbrio emocional em qualquer circunstância e dar de ombros para a pressão diária para atingir resultados. Já para as mulheres, consideradas mais suscetíveis a emoções e sentimentos, havia certa complacência.

A verdade é que o mundo corporativo vem exigindo cada vez mais pessoas com características comportamentais que favoreçam um ambiente de trabalho dinâmico e equipes harmoniosas, que consigam mesmo em meio às divergências, encontrar as melhores soluções e conquistar com entusiasmo os melhores resultados.

A habilidade de relacionar-se no ambiente de trabalho se faz necessária e precisa ser valorizada tanto quanto as competências técnicas. Geralmente, quando vai participar de um processo seletivo, o candidato se prepara para falar sobre suas habilidades técnicas, mas o comportamental está sendo observado desde o aperto de mão.

Perguntas como: “Quais são seus principais defeitos e como você lida com eles?” e “Você prefere trabalhar sozinho ou em equipe?”, são muito comuns nas entrevistas de emprego. Sendo assim, é importante se conhecer e saber quais são as características mais (e menos) marcantes da sua personalidade para não ser pego de surpresa.

Algumas competências comportamentais estão em alta no mercado de trabalho e podem fazer total diferença quando o selecionador fica em dúvida entre um candidato e outro. São elas:

Autoconhecimento: para aprimorar suas competências, o profissional não deve esperar a iniciativa da empresa. Ele é o principal responsável pelo seu desenvolvimento e precisa buscar ferramentas que o auxiliem nessa tarefa.

Compartilhar ideias e conhecimentos: trocar conhecimentos, ideias e valores é uma atitude esperada e apreciada por gestores. Compartilhar é a melhor forma de aumentar o potencial da equipe.

Otimismo: otimismo interessa a todo mundo. Pessoas otimistas enxergam uma gama de possibilidades, mesmo em situações adversas. São perseverantes e contribuem para deixar o ambiente mais leve e agradável.

Flexibilidade: ser capaz não só de aceitar mudanças, mas também de se adaptar. Ser flexível é ter a mente aberta para aceitar opiniões e se reinventar diante das necessidades.

Trabalho em equipe: trabalhar em equipe não é apenas trabalhar em conjunto, requer compartilhamento de conhecimentos e ideias. A interação da equipe favorece também a capacidade de agregar valor e de gerar confiança.

Inovação: inovar é sempre importante para o desenvolvimento da empresa. Buscar e sugerir soluções e alternativas é essencial para oferecer aos clientes diferenciais competitivos.

Comunicação: praticar e valorizar a comunicação é fundamental para o trabalho em equipe. Falar e escutar na hora certa (bom senso e observação) também é importante para manter um ambiente de trabalho agradável e produtivo.

Administrar conflitos: é importante saber lidar com os conflitos. Além das divergências com os colegas de trabalho, é preciso saber lidar com clientes difíceis. É preciso desenvolver a habilidade de conversar, argumentar e principalmente conciliar.

Assertividade: uma pessoa assertiva tem habilidade para expressar ideias, posicionamentos e até mesmo emoções. Através da assertividade é possível evitar conflitos desnecessários que geralmente afetam negativamente a rotina.

Ética: profissionais éticos e que valorizam a integridade, são desejados por empresas que desejam ver seus valores respeitados e propagados.

Disposição para aprender: é essencial ter vontade e iniciativa de se manter continuamente atualizado, buscar informações da sua área de interesse e conhecimentos gerais. Vale lembrar que a capacitação não se limita às atividades acadêmicas. É fundamental saber aproveitar as oportunidades de aprendizado que o dia a dia no ambiente de trabalho proporciona.

Inúmeras habilidades comportamentais são desejadas por dez entre dez selecionadores, mas a que traduz melhor o que as empresas realmente buscam é a capacidade de se comprometer. Comprometer-se com seu trabalho e com os resultados derivados dele, comprometer-se com o futuro que está criando para si e para seus colegas de trabalho e comprometer-se também com os valores e objetivos da empresa.

O comprometimento contribui para o fortalecimento e desenvolvimento da empresa, bem como ao seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional. É muito mais do que fazer porque é sua função. Comprometer-se é assumir as responsabilidades daquilo que se faz, é dar sempre o “algo mais”, é colocar emoção, buscar os melhores recursos e, as melhores alternativas.

Quem se compromete experimenta o trabalho como ele é e com tudo que ele pode oferecer, com seus altos e baixos, alegrias e tristezas, realizações e fracassos. Certamente os resultados colhidos serão enriquecedores e surpreendentes!

Alessandra Vieira Martins é gestora de recursos humanos e gerente comercial na Perfil Humano RH, empresa especializada em recrutamento e seleção.