Copa do mundo e seus efeitos para a economia do Brasil

SÃO PAULO, SP, 12.06.2014: COPA/BRASIL x CROÁCIA - Torcida - Partida entre Brasil x Croácia, válida pela primeira rodada do Grupo A, durante jogo abertura da Copa do Mundo 2014, realizado na Arena Corinthians (Itaquerão), na zona leste de São Paulo, nesta quinta-feira (12). (Foto: Jorge Martinez/Mexsport/Fotoarena/Folhapress)

Especialistas apontam que durante o evento ocorrem muitas paralisações em atividades importantes, o que acaba por gerar um impacto negativo na economia do país.

A Copa do mundo é um dos eventos esportivos mais aguardados ao redor do mundo. Um episódio deste porte movimenta uma grande quantidade de dinheiro, mas não é possível um saldo positivo se a organização transnacional FIFA e as relações entre o setor público e privado não estiverem bem organizados. O impacto da Copa do Mundo na economia pode ser positivo ou negativo, no caso desta edição, o impacto no Brasil não vem sendo dos melhores.

De acordo com o Diretor de Câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, o expediente bancário acaba sendo afetado quando ocorrem jogos da seleção brasileira em dias úteis, isto abala o volume transacionado e a liquidez. Em geral, é ruim também para o câmbio, já que existem muitos dias de poucos negócios e baixa liquidez. “Teremos um mês com poucos dias úteis, ou seja, teremos resultados baixos para o mercado financeiro”, diz Bergallo. Foi avaliado que a Copa do Mundo de 2018 pode trazer mais ruídos negativos aos dados domésticos de atividades nos meses de junho e julho deste ano. “Se analisarmos os indicadores de comércio varejistas e produção industrial durante os últimos quatro mundiais de futebol, é possível observarmos que o varejo exibe queda mensal de 0,5% e a indústria mostra recuo de 0,3% nos meses em que o evento ocorre, já descontados os efeitos sazonais. Estes desempenhos negativos são explicados pelas dispensas concedidas pelas empresas aos seus funcionários, bem como pelo encurtamento de seus horários de funcionamento”, explica o Economista-Chefe da DMI Group, Daniel Xavier.

Vale destacar o desempenho setorial das vendas varejistas no Brasil durante os meses de Copa: o comércio de móveis e eletrodomésticos foi o que exibiu maior retração (-2,9% ao mês), seguido pelo setor de combustíveis e lubrificantes (-1,0%). Por outro lado, as vendas em supermercados mostraram estabilidade (0,0%) e o comércio de tecidos e roupas teve discreta alta mensal (+0,2%). Estes ruídos negativos do Mundial de Futebol sobre a atividade se somarão aos efeitos da paralisação do transporte de carga e dificultarão ainda mais a leitura clara da tendência da atividade doméstica neste meio de ano. Para o Economista-Chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, a atividade econômica já vinha se desacelerando em função da greve dos caminhoneiros, eleições e cenário externo. A ocorrência da copa em dias e horários em que a indústria e os serviços estão em plena atividade, acaba por atrapalhar ainda mais a recuperação. “As paradas durante o dia não serão repostas em outros horários e devemos assistir a efeitos contundentes na indústria e, em menor escala, no varejo”, finaliza Pedro.

Sobre DMI Group

Constituída em 2011 a DMI Group é uma empresa focada na estruturação e gestão de fundos de Private Equity, no entanto, possui também sob gestão Fundos Multimercados e de Direitos Creditórios. Habitualmente investe em companhias que possuam nichos diferenciados de mercado e apresentem alta expectativa de retorno.

Com acesso a recursos de até R$ 2 bilhões para investimentos até 2029, a DMI Group estuda investimentos em empresas de capital aberto e fechado. A expertise do grupo é a fusão e aquisição de empresas de um mesmo setor, visando sua consolidação e posterior venda a um player estratégico ou processo de IPO no Brasil e no exterior. Recentemente a DMI Group adquiriu 50% da Companhia de Transporte de Gás (CTG) e já projeta um investimento de R$ 80 milhões durante os próximos 5 anos na matriz brasileira e no projeto de expansão na América Latina.