Daqui para a frente, tudo vai ser diferente: a oposição em 2015

MAIS ECO Aécio é recebido por manifestantes na volta ao Congresso. A voz da oposição tem agora mais ressonância (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
MAIS ECO Aécio é recebido por manifestantes na volta ao Congresso. A voz da oposição tem agora mais ressonância (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
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Aécio é recebido por manifestantes na volta ao Congresso. A voz da oposição tem agora mais ressonância (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Após voltar com ânimo novo das eleições, a oposição quer se organizar para fazer um combate sem trégua a Dilma Rousseff

Após a derrota nas eleições presidenciais de 2010, o candidato do PSDB, José Serra, fez um pronunciamento em que constatava um desafio. “Chego hoje nesta etapa final com a mesma energia que tive ao longo dos últimos meses. O problema é como despender essa energia nos próximos dias e semanas”, disse. Após alguns dias de reclusão, Serra decidiu dar uma palestra na França. Seu vice, Indio da Costa, foi descansar na Espanha, enquanto o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, preferiu os Estados Unidos. Em 2014, a oposição decidiu recomeçar de forma diferente. Após uma semana de repouso em sua fazenda no interior de Minas Gerais, Aécio Neves abortou a ideia de uma viagem ao exterior e voltou ao Senado. O motivo estava na recepção que o aguardava em Brasília: centenas de pessoas o esperavam no Congresso Nacional no retorno pós-eleitoral. É um sinal que a oposição  promete atua­ção implacável contra o governo Dilma e poderá encontrar em grande parte da sociedade ressonância para manter-se atuante.

Por esse motivo, a ambição dos correligionários de Aécio é torná-lo o porta-voz das oposições brasileiras, mais que mero líder do PSDB. Com esse objetivo, Aécio será preservado do pinga-fogo do Congresso. Esse trabalho ficará a cargo da forte bancada oposicionista no Senado. Ela agora passará a contar também com José Serra (PSDB-­SP), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). A prioridade de Aécio será fazer a interlocução com segmentos da sociedade. De acordo com os planos, ele fará, em 2015, viagens frequentes aos Estados. “Vamos deixar o fim de ano passar, porque mobilização obedece a ondas e a sociedade está exausta após as eleições”, diz o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), aliado de Aécio. Os tucanos pretendem também ampliar sua atuação nas redes sociais, onde o PSDB tem presença débil em comparação com o PT. A equipe de comunicação do partido será reforçada.

No âmbito do Congresso, o PSDB se movimenta para unir os partidos de oposição em torno de um nome que seja bem recebido pela opinião pública para a disputa da presidência da Câmara dos Deputados. A eleição ocorrerá no dia 1° de fevereiro. A intenção é que PSDB, DEM, PSB, Rede, PV e PSC se unam em torno de um dos três nomes que aparecem na lista de preferências dos oposicionistas: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Miro Teixeira (Pros-RJ) ou Julio Delgado (PSB-MG). O PSDB pretende também se estruturar para fazer o que não conseguiu fazer, com êxito, nos últimos anos: uma fiscalização permanente do governo. Quer montar uma espécie de gabinete paralelo, inspirado nos “shadow cabinets” da oposição no Reino Unido. Será formado por núcleos de especialistas. Para mostrar que o compromisso de fiscalizar é sério, Aécio desautorizou o acordo feito na CPI da Petrobras para que políticos não fossem convocados a depor. A comissão acabou por aprovar um relatório “governista” no Congresso na semana passada Segundo Aécio, o PSDB quer a abertura de uma nova CPI sobre o petrolão em 2015.

LEOPOLDO MATEUS
Fonte: Época