Dependentes químicos recorrem a Ibogaína para se livrar do vício em drogas

Consumo diário pode chegar a aproximadamente 15 pedras

São Paulo, janeiro de 2016 – Segundo a Pesquisa Nacional sobre o uso de Crack, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 370 mil usuários de crack ou similares. O levantamento aponta que, nas capitais do país, o dependente consome uma média diária de 14,5 pedras ou porções de drogas. Dessa forma, um local com grande circulação de usuários que reúna 200 viciados, movimenta aproximadamente três mil pedras por dia, ou por turno, levando em consideração que a circulação dessas pessoas se renove por períodos.

Em junho do ano passado, a Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro instaurou a “Operação Overload” e identificou que grandes traficantes continuavam comandando o tráfico de dentro das prisões. Em algumas regiões os criminosos lucravam até R$ 7 milhões de reais por mês. O delegado Felipe Curi, que comandou a operação, afirmou que a cocaína pura é adquirida por R$ 14 mil reais e após embalada o faturamento chega a girar em torno de R$ 64 mil reais, totalizando um lucro de 350%.

Mesmo movimentando tanto dinheiro, o estudo da Fiocruz revelou que 77 % dos usuários manifestam interesse em realizar um tratamento para a dependência química. Dentre os tratamentos conhecidos, um em especial tem chamado a atenção de pesquisadores. O arbusto Tabernanthe Iboga, usado na África, armazena em sua raiz uma substância com altos índices de cura chamada Ibogaína.

O Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizou uma pesquisa com 75 usuários de drogas, sendo 67 homens e 8 mulheres, que se trataram através do uso da Ibogaína. De todos os participantes, 42 relataram abstinência total do vício. O tratamento com a Ibogaína não resultou reações adversas graves ou fatais.

O naturopata e diretor do Instituto Brasileiro de Terapias Alternativas, IBTA, Rogério Souza, afirma que ela reconecta ligações cerebrais e traz de volta a sensação de prazer para o paciente. “Ela age em três mecanismos distintos. Num primeiro momento atua no aumento de serotonina e dopamina, permitindo que o cérebro acione as percepções de prazer em níveis naturais. Em segundo lugar ela ativa o GDNF responsável pela reconstrução de conexão neurológica que garante aumento do foco e concentração além de aumentar a performance em qualquer atividade que o mesmo se proponha: atividade física, trabalho entre outros. E numa última instância o tratamento proporciona uma psicoterapia acelerada onde o paciente acessa arquivos de memória de suas experiências, refletindo o que o levou até sua condição atual. ”

O IBTA fica no município de Paulínia, interior de São Paulo e ministra o tratamento inovador através da Ibogaína, sem a necessidade de internação. O corpo clínico altamente capacitado no tratamento de drogas presta, inclusive, completa assistência à familiares de pacientes em tratamento.