Depois de ano abaixo, produção de carne espera melhor desempenho em 2018

Turbulento e decepcionante. Essas são algumas das palavras que podem resumir o desempenho do mercado de carnes no Brasil, em 2017. Afetado por secas e pelo envolvimento da maior empresa do mundo em processamento de proteína animal em casos de corrupção, os produtores sofreram com a desvalorização da mercadoria.

O descontentamento fica claro nas palavras de João Moreira Melo, de 81 anos. João, conta que trabalhou a vida inteira com o gado. Ele que tem duas fazendas na cidade de Arinos, interior de Minas Gerais, revela a decepção com os maus resultados em 2017.

“Nós esperávamos um preço melhor, tivemos que vender mais barato esse ano e acabamos vendendo menos.”

No começo do ano às expectativas para o desempenho do setor eram as melhores possíveis, mas é preciso voltar em 2014 para entender o que motivou essa esperança. De acordo com Thiago Carvalho, pesquisador da área pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o CEPEA, em 2014 e 2015, o Brasil sofreu com fortes secas nas principais regiões produtoras de gado. Isso causou uma diminuição no rebanho fazendo com que os preços subissem. Diante desse cenário, segundo o especialista, muitos produtores tiveram que usar a criatividade para não ficarem no prejuízo. Assim, começaram os investimentos em genética, manejo sanitário e do pasto, além da nutrição. Isso fez com que os anos de 2014 e 2015 fossem muito lucrativos.

No fim de 2016, começo de 2017, as chuvas voltaram à normalidade e os preços voltaram a cair, devido ao aumento da produtividade. Segundo Thiago Carvalho, do CEPEA, a desvalorização começou a ser observada pelo órgão e investidores do setor.

“Então, antes da Carne Fraca, a gente já via uma desvalorização. O CEPEA, o mercado num geral já observava a queda do preço do boi.”

A delação da JBS também contribuiu para manter o preço da arroba do Boi Gordo em baixa. Os preços caíram de R$ 144 para aproximadamente R$ 132, o valor mais baixo dos últimos 20 anos para o mês de maio, segundo dados do CEPEA.

Para Rafael Linhares, assessor técnico da Comissão de Nacional de Bovinocultura da Confederação de Agricultura e Pecuária, a CNA, mesmo com a crise, a previsão é otimista com relação ao desempenho do setor para o final de 2017.

“Nós esperamos uma retomada do consumo com as festividades de final de ano. Uma retomada do abate, da produção de carne, fazendo com o que haja uma procura maior pelo animal terminado”

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo. Países como Irã, Rússia e China estão entre os maiores compradores do produto brasileiro.

Reportagem, Raphael Costa