Despreparo emocional prejudica alunos brasileiros em avaliação mundial

No Brasil, pesquisa da UFRJ revela avanço nos níveis de autocontrole, empatia e perseverança de estudantes que já desenvolvem habilidades socioemocionais em sala de aula

O estudo recém-divulgado Por que o Brasil vai mal no Pisa? Uma análise dos Determinantes do Desempenho no Exame (confira reportagem publicada pela BBC), mostra que o baixo desempenho dos alunos brasileiros na principal avaliação da Educação Básica, o Pisa, acontece porque a maioria deles piora a performance ao longo do exame ou sequer consegue chegar ao final dele.

Mais que dificuldades com o conteúdo, os dados indicam que a ausência das chamadas habilidades socioemocionais – por exemplo, perseverança, autocontrole e resiliência do aluno na hora de fazer as provas – parece ter na performance dos alunos brasileiros.

Pesquisa Nacional sobre habilidades socioemocionais – No Brasil, também foi publicada recentemente a primeira pesquisa nacional sobre o impacto do ensino de habilidades socioemocionais em estudantes brasileiros. Conduzido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o estudo avaliou 9,6 mil estudantes entre 10 e 17 anos que participaram de programa de aprendizagem socioemocional em todas as regiões do país.

A UFRJ acompanhou durante o período de um ano um grupo de 9,6 mil estudantes entre 10 e 17 anos que participaram de um programa estruturado de aprendizagem de habilidades socioemocionais aplicado em escolas brasileiras, o Programa Semente.

No início do ano letivo de 2017, os estudantes, distribuídos em escolas nas cinco regiões do país, tiveram acesso a uma plataforma online, na qual responderam a um questionário com 45 perguntas. No final de 2017, o mesmo grupo respondeu ao mesmo questionário, após quase um ano de experiência com o Programa em sala de aula.

Para mensurar a eficiência do Programa, os pesquisadores avaliaram os aspectos propostos pelo Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning (CASEL), principal centro de estudos da aprendizagem socioemocional do mundo, e empregado como referência na metodologia do Programa Semente por meio dos cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, decisões responsáveis e habilidades sociais.

Os dados tabulados indicaram impactos positivos em todos os domínios avaliados, apontando nos índices gerais de Habilidades Socioemocionais um aumento estatisticamente significativo de 6,7% na melhora do comportamento desses alunos. Analisando cada item, a magnitude das mudanças variou de 2,3% (Empatia Cognitiva Emocional) até 13,9% (Autocontrole). O Autoconhecimento (13,5%) e as Habilidades Sociais (7,2%) completam o pódio com os maiores níveis de melhora.

Para o médico psiquiatra e educador Celso Lopes de Souza, fundador do Programa Semente, os dados são animadores. “Os estudantes evoluíram muito e os resultados mostram que estamos no caminho correto. Não adianta apostar em algo que não funciona. Investir no desenvolvimento das habilidades socioemocionais desses alunos vai gerar impactos positivos não só nos exames, mas na vida de cada um deles”, diz.