Educação financeira é destaque no Seminário do Sinepe-AM

O Amazonas está entre os Estados com os maiores índices de inadimplência do Brasil, segundo a educadora financeira, Vera Lúcia Salgado. Nesta quinta-feira (16), no último dia do Seminário de Educação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), a especialista destacou que a quantidade de pessoas com dívidas atrasadas evidencia a necessidade da educação financeira e, quanto mais cedo, melhor e isso refletirá na vida adulta.

Vera explica que a partir dos dois anos de idade, quando a criança começa a demonstrar desejos próprios, já é o momento de iniciar a educação financeira, mostrando o processo de troca do dinheiro por produtos, assim, elas aprendem a lidarem com prazos, dinheiro e com a impulsividade.

“Estimular os pequenos a poupar para realizar seus sonhos e objetivos também são formas de ajudá-los a serem consumidores conscientes”, disse a educadora do DSOP, Instituto de Educação Financeira, que hoje oferece o programa em cerca de 20 escolas particulares de Manaus.

Com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define os conteúdos, competências e habilidades que os alunos brasileiros têm o direito de aprender em cada ano letivo nas escolas, a educação financeira passou a ser obrigatória nas escolas públicas e particulares do país e deverá, a partir de 2019, ser abordada como um tema transversal, principalmente em Matemática e Ciências da Natureza para crianças do ensino fundamental.

Termos da economia em geral, como taxa de juros, investimento, impostos, que muitas pessoas não conhecem e nem sabem o que significa, serão introduzidos durante as aulas. “A educação financeira inserida na grade curricular das escolas vai mostrar para as crianças para que serve o dinheiro, de onde vem, o que acontece se guardar”, comentou a presidente do Sinepe-AM, Elaine Saldanha.

Seminário de Educação

Outro destaque no Seminário de Educação foi a palestra “Habilidades Socioemocionais na Escola”, da psicóloga e consultora pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida, Márcia Frederico. A especialista abordou a necessidade de aprender desde a infância a lidar com as emoções, além de desenvolver o pensamento crítico, e entender que, com a ajuda de outros, é possível ir mais longe e que errar faz parte do processo.

Tamanha é sua relevância, que a educação socioemocional está presente em 6 das 10 competências gerais da BNCC. Segundo Márcia, estimular e desenvolver habilidades socioemocionais não significa se opor à importância dos conteúdos curriculares tradicionais. “Muito pelo contrário, é estimular, apoiar e auxiliar a própria aprendizagem do aluno”, frisou a psicóloga.

Prevenção do bullying, contribuir para escolhas saudáveis e responsáveis, reduzir a ansiedade e depressão, auxiliar na superação de desafios, promover o trabalho em equipe e o convívio com diferenças estão entre os benefícios da educação socioemocional.

No encerramento do Seminário de Educação, a diretora do Avalia Educacional, Isabel Farah Schwartzman, falou sobre o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A partir do ano que vem, educação infantil será avaliada pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Com isso, o sistema passa a avaliar todo o percurso regular da educação básica. Outra mudança, é que os estudantes do segundo ano do ensino fundamental serão avaliados como nova etapa de referência para a alfabetização, adequando-se à BNCC. A Base antecipou a meta de alfabetização do país para a faixa etária de sete anos, idade em que a criança está matriculada no segundo ano.