Empresas aderem à indústria 4.0 com apoio do SENAI

Pequenos e médios empresários descobrem como se inserir na indústria 4.0

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Amazonas) dá início ao Programa Indústria Mais Avançada (I+A), com vistas à inserção na indústria 4.0, oportunidade para mais produtividade por meio das tecnologias digitais, tendo como empresas pilotos a Natan Indústria e Comércio de Panificação Ltda (Natan Congelados) e a Fábrica Virrosas Ltda.

Com a inserção na indústria 4.0, as empresas entendem o que ocorre no chão de fábrica e adotam novos processos, produtos e modelos de negócios. É o que busca a Natan Congelados, empresa de pequeno porte, fabricante de alimentos congelados para o comércio da panificação e confeitaria.

De acordo com o diretor-presidente da empresa, Nailton Ribeiro, a empresa busca melhoria contínua de sua produção, e antes de aderir à Indústria Mais Avançada, participou do programa Brasil Mais Produtivo (B+P), também coordenado pelo SENAI Amazonas, em 2016, com ótimo aproveitamento.

“A Natan Congelados teve um ganho de mais de 100% de produtividade com o B+P do SENAI. Tivemos acompanhamento direto nos nossos processos, o que nos fez modificar rotinas e alcançar melhorias e mais produtividade”, disse Nailton Ribeiro.

Uma das melhorias foi a mudança no layout do ambiente de trabalho que proporcionou mais visibilidade e agilidade nas atividades, a exemplo do funcionário da linha de produção que andava dois mil passos para realizar uma tarefa em seu dia a dia e hoje circula menos e produz muito mais, cita Ribeiro.

O diretor comercial da empresa, Arian Ribeiro, observa que a empresa precisa ter controle do que produz, pois hoje já controla o que vende por conta do sistema de faturamento, ainda manual. “Nosso principal gargalo é não ter a quantidade exata de produtos produzidos e liberados para comercialização, em tempo e quantidade de matéria-prima determinados. Sem saber, portanto, seu real rendimento e perda”, frisa o diretor.

Conforme Ribeiro, a Natan Congelados pretende atuar cada vez mais sólida no mercado, com números e dados reais para um melhor gerenciamento de resultado e tomadas de decisões e futuros investimentos. “Melhorar a produtividade com tecnologias voltadas para o controle e redução de custos é o que esperamos com a nova ação do SENAI”, frisa o diretor.

VIRROSAS

A Fábrica Virrosas Ltda também faz parte do projeto-piloto I+A para melhoria nos processos de fabricação de seus vinagres, após haver recebido consultoria do programa B+P, para padronizar o ensaio de qualidade do produto.

Pedro Monteiro afirma que com a consultoria em indústria 4.0, o foco será a automação de controles internos da produção com a utilização de sensores e outros equipamentos que permitirão aos gestores maior controle, permitindo identificar gargalos e perdas na produção e, consequentemente, obter maior produtividade.

Monteiro fala que o mais importante de se investir em tecnologia e inovação é a preocupação em permanecer competitivo às mudanças do mercado, inclusive, no ramo de alimentação, que muda a uma velocidade nunca vista. “E a Virrosas observando essas tendências, procura estar sempre um passo à frente da concorrência, contando sempre com a parceria do SENAI, essencial nesse processo”, relata.

“Mesmo sendo bastante desafiador, acreditamos que teremos êxito e ótimos resultados após o sistema implantado, pois nos permitirá talvez ser o pioneiro na indústria de vinagres brasileira a ter um sistema adequado à indústria 4.0”, pontua.

GUIA DE DIGITALIZAÇÃO – O SENAI também lança um guia com cinco passos que as pequenas e médias empresas devem seguir para se inserir na indústria 4.0. A recomendação é que, em primeiro lugar, os empresários organizem seu sistema produtivo para reduzir desperdícios, por meio de ferramentas como o lean manufacturing. A técnica foi implantada pelo SENAI em empresas atendidas no programa Brasil Mais Produtivo com aumento médio de produtividade de 52%.

Em seguida, a orientação é instalar sensores nas principais linhas de produção e capacitar funcionários para analisar as informações geradas pelos equipamentos. Ter profissionais qualificados é o ponto-chave para as empresas que vão adotar tecnologias digitais. Eles serão responsáveis, por exemplo, por tomar decisões estratégicas a partir das informações geradas. O SENAI iniciou neste ano a oferta de cursos de aperfeiçoamento para capacitar os profissionais que vão trabalhar com tecnologias da indústria 4.0.

Os próximos estágios recomendados pelo guia são tornar visíveis em nuvem os dados produzidos pelos sensores e integrá-los aos indicadores da empresa; introduzir tecnologias como big data e inteligência artificial e utilizar esses recursos para responder de forma rápida e flexível às demandas dos clientes.

A digitalização, um dos primeiros degraus para inserção na indústria 4.0, ajuda as empresas a conhecerem melhor seu chão de fábrica e a conseguir se antecipar a eventos como quebras de máquinas, que afetam a eficiência do processo produtivo. Estudos da consultoria McKinsey apontam, por exemplo, que os ganhos em produtividade com uso de novas tecnologias digitais podem chegar a 26%.

“O desconhecimento talvez seja hoje o maior entrave à inserção das empresas brasileiras nesta revolução industrial. O custo da tecnologia está baixo, o acesso aos métodos está facilitado, por isso, é preciso desmistificar os conceitos e mostrar que a indústria 4.0 não é apenas para as grandes empresas, ao contrário, é uma oportunidade, principalmente, para as pequenas se tornarem mais produtivas”, explica o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do SENAI Nacional, Marcelo Prim.

EXPERIÊNCIA – O programa Indústria Mais Avançada, realizado pelo SENAI, desenvolve pilotos com 56 pequenas e médias empresas em todos os estados brasileiros a fim de oferecer soluções em digitalização. O objetivo da experiência é refinar um método de baixo custo, alto impacto e de rápida implementação. São testadas técnicas de internet das coisas, sensoriamento, computação na nuvem e analytics que permitam intervir nos processos produtivos com maior agilidade.

Empresários interessados no tema também podem fazer um diagnóstico gratuito do estágio tecnológico de suas empresas na plataforma SENAI 4.0 (senai40.com.br), lançada este ano. A avaliação serve de base para elaboração de um plano individualizado de atualização tecnológica, também oferecido gratuitamente. Além disso, já está disponível, sem qualquer custo, o curso online “Desvendando a Indústria 4.0” destinado a explicar conceitos, oportunidades e riscos da quarta revolução industrial.

PASSO A PASSO DA INDÚSTRIA 4.0

ESTÁGIO 1 – OTIMIZAÇÃO: Aumente a produtividade do chão de fábrica e dos seus funcionários, ao mesmo tempo em que o desperdício é reduzido, elevando a sua margem de lucro. Capacite as lideranças no tema indústria 4.0 e se prepare para a segunda etapa.

ESTÁGIO 2 – SENSORIAMENTO E CONECTIVIDADE: Agora que você já ajustou o seu processo produtivo, é necessário sensoriar suas principais linhas de produção. Seus técnicos serão capacitados para analisar dados em tempo real, aprender com o seu chão de fábrica e tomar rápidas decisões.

ESTÁGIO 3 – VISIBILIDADE E TRANSPARÊNCIA: Como os dados do processo já estão sendo captados por sensores, é hora de torná-los visíveis em uma nuvem e integrados aos demais indicadores da empresa e de toda a sua cadeia de valor.

ESTÁGIO 4 – CAPACIDADE PREEDITIVA: Agora que sua empresa já começou a aprender com o seu processo produtivo, é hora de introduzir tecnologias como big data e inteligência artificial para auxiliar em possíveis testes e prever diferentes cenários.

ESTÁGIO 5 – FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE: Nesta fase, os sistemas e tecnologias implantados possuem capacidade de identificar e resolver problemas, além de responder de forma flexível às demandas dos clientes por novos produtos e serviços.