Estudantes de Barreirinha aprendem química com auxilio de paródias

Projeto é desenvolvido no município de Barreirinha no Interior do Amazonas

Os estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Maria Belém, no município de Barreirinha (distante a 330 quilômetros de Manaus), estão aprendendo de uma forma diferente a disciplina de Química. A matéria considerada difícil pela maioria dos alunos ganhou um recurso especial para ajudá-los a assimilar o conteúdo: o auxílio das paródias.

Sucesso na Internet, as paródias têm conquistado cada vez mais o público jovem e consistem na recriação de uma obra musical já existente, em que geralmente se mantém a melodia e se modifica a letra música. No projeto em questão, as músicas são adaptadas para os conteúdos de Química ensinados na sala de aula.

A estratégia de unir a música no processo de ensino e aprendizagem foi ideia do professor Evaldo Belo ao perceber a dificuldade dos alunos em compreender a disciplina.

Intitulado “Química Cantada” o projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) e Secretaria Municipal de Educação (Semed).

O professor Belo explica que a ideia de aplicar as paródias surgiu com a proposta de dinamizar o ensino de Química através de músicas parodiadas como metodologia alternativa para assimilação dos conteúdos pelos alunos.

Ainda conforme o professor, o uso do lúdico pode ser uma maneira de despertar o interesse do aluno pela Química e também pode funcionar como meio de transformação deste aluno em termos sociais. “Os alunos costumam ter aversão aos conteúdos desta disciplina por considerá-la de difícil compreensão. A música representa um mecanismo inovador e facilitador para a educação, sendo assim uma importante alternativa para estreitar a relação entre conhecimento em química e a vida cotidiana do aluno. Ela se configura como uma atividade lúdica e essa ludicidade antes vista como prática do ensino infantil é um importante recurso didático também para o ensino de Química, e pode ser uma opção divertida e atrativa, diferentemente do livro didático e outros recursos”, contou.

Até o momento, já foram produzidas três paródias divulgadas para escola. Mas, a expectativa é que esse número aumente até o término do projeto. As paródias englobam vários ritmos desde boi-bumbá a sertanejo.

Professor de Química na escola, Belo conta que os alunos foram estimulados a pesquisarem no Laboratório de Informática sobre conteúdo do 1º ano como: Modelos Atômicos, Tabela Periódica; Ligações Químicas e Funções Inorgânicas; Para o 2º ano, Gases; Soluções; Termoquímica e Cinética Química e do 3º ano Introdução a Química Orgânica; Hidrocarbonetos, Funções Oxigenadas, Funções Nitrogenadas, Isomeria e Reações. “O próximo passo do projeto será a elaboração de paródias inéditas, para tal será organizado um concurso de paródias com premiação para as melhores”, contou.

Comportamento – Conforme o professor, desde o início do projeto houve melhora na assimilação dos conteúdos pelos alunos. “A música oferece estímulo e o ambiente propício ao desenvolvimento espontâneo e criativo dos estudantes e à ampliação dos conhecimentos dos professores em metodologias de ensino efetivas”, afirma o professor.

O bolsista de IC/JR Apollo Conceição, do 3° ano Ensino Médio, conta que para produção da paródia foi preciso se aprofundar no conteúdo exposto em sala de aula. Para isso, a pesquisa foi uma aliada e a compreensão da química se tornou mais fácil. “O projeto apresenta ao aluno a química de uma forma diferente e isso é algo muito interessante. É uma nova visão para aprender o conteúdo de química usando algo que o jovem gosta que é a música”, disse.

O estudante Jean Alves, também do 3° ano do Ensino Médio, contou que após as apresentações das paródias na escola várias alunos se interessaram pelo projeto e entraram como voluntários. “Antes eu não me interessava por química, mas após a implementação do projeto a curiosidade e o interesse de entender a disciplina aumentaram”, destacou.

PCE – O PCE apoia a participação de professores e estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental, da 1ª à 3ª série do ensino médio e suas modalidades: Educação de Jovens e Adultos, Educação Escolar Indígena, Atendimento Educacional Específico e Projeto Avançar, em projetos de pesquisa a serem desenvolvidos em escolas públicas estaduais sediadas no Amazonas e municipal.

Lançado no mês de março, o programa conta com investimento de quase R$2,5 milhões para incentivar a aproximação da ciência no ambiente escolar, visando à participação de professores e estudantes, por meio de projetos de Iniciação Científica Junior (ICT/JR).

FOTO: DIVULGAÇÃO/FAPEAM