Estudo aponta que pacientes obesos que realizaram cirurgia bariátrica vivem mais

Os operados registraram taxas de mortalidade de 2,4% em um ano, 6,4% em cinco anos e 13,8% em 10 anos; nos não operados as taxas foram de 1,7%, 10,4% e 23,9%, respectivamente

Uma pesquisa publicada no JAMA – The Journal of the American Medical Association, aponta que pacientes obesos que se submeteram à cirurgia bariátrica têm uma taxa de sobrevida maior, em longo prazo, quando comparados a pacientes obesos que não realizaram o procedimento. O levantamento foi realizado pelo Instituto de Pesquisa em Saúde Coletiva com pacientes atendidos pelo sistema de saúde Veterans Affairs, em Seattle, nos Estados Unidos.

O estudo verificou as taxas de sobrevivência de 2,5 mil pacientes que realizaram a cirurgia entre os anos 2000 e 2011, sendo 74% deles do gênero masculino. Os dados foram comparados aos 7.462 pacientes do grupo controle, que não se submeteram à cirurgia. A média de idade dos pacientes operados é de 52 anos e do IMC – Índice de Massa Corporal, de 47. O grupo controle registrou média de idade de 53 anos e IMC de 46.

Após 14 anos foram registradas 263 mortes no grupo dos bariátricos e 1.277 no grupo controle. As taxas de mortalidade foram de 2,4% em um ano, 6,4% em cinco anos e 13,8% em 10 anos, para os pacientes cirúrgicos. Já no grupo controle as taxas foram de 1,7%, 10,4% e 23,9%, respectivamente.

Para o Dr. Josemberg Campos, Presidente da SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, estudos como este corroboram para que a cirurgia bariátrica se consolide como o método mais eficaz no combate à obesidade mórbida. “Além da perda de peso a cirurgia possibilita o controle de doenças associadas como diabetes, hipertensão, diminuição das complicações cardiovasculares relacionadas ao peso excessivo, entre tantos outros problemas. Isso confere ao paciente a melhora da autoe stima e consequentemente sua ressocialização, já que o obeso, em geral, ainda sofre muita discriminação”, diz.

Dr. Josemberg acrescenta que a evolução dos materiais e equipamentos utilizados nas cirurgias tornou os procedimentos menos invasivos, mais rápidos, seguros e com tempo menor de recuperação. Mas tudo isso pode ser prejudicado se o paciente não tiver uma preparação clínica adequada para a cirurgia. “É fundamental fazer uma análise rigorosa das condições de saúde do paciente, qualificação do cirurgião, estrutura hospitalar, técnica utilizada, além do acompanhamento multidisciplinar”, comenta o presidente.

Cirurgia Bariátrica no Brasil

A SBCBM segue as diretrizes que foram estabelecidas em reunião conjunta com Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina, que gerou a Resolução CFM n° 1766, de 13 de maio de 2005, atualizada posteriormente para resolução CFM n° 1942, de 12 de fevereiro de 2010. Nela estão definidas as indicações para a cirurgia bariátrica, como deve ser montada a equipe multidisciplinar que fará o acompanhamento de cada paciente, os tipos de cirurgias autorizadas no Brasil, além de outras diretrizes legais.

De acordo com as orientações da resolução a cirurgia é liberada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40 e pode ser realizada em casos de IMC entre 35 e 40, desde que o paciente tenha comorbidades como, por exemplo, o diabetes. O IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.

A cirurgia bariátrica vem crescendo expressivamente no Brasil, que é o segundo país com mais cirurgias realizadas. Em 2014 foram realizados cerca de 88 mil procedimentos. Do número total de cirurgias feitas no Brasil estima-se que 10% são feitas pelo SUS.

Sobre a SBCBM

A SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi fundada em 1996. Inicialmente batizada como SBCB – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em 2006 a entidade inseriu a palavra “Metabólica” em seu nome, devido à crescente importância da cirurgia metabólica na comunidade médica.

Possui atualmente cerca de 1400 sócios entre cirurgiões e especialidades associadas (endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, cirurgiões plásticos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo) com representantes no país por meio de capítulos ou delegacias.