Familiares de advogado com leucemia denunciam que falta material, no HEMOAM, para encontrar doador de medula óssea

Familiares do advogado Michel Gioia, 40 anos, denunciam que falta material para coletar sangue de doadores para fazer o exame de compatibilidade para transplante de medula óssea na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM). A família deve levar o caso ao conhecimento do Ministério Público Estadual.

A tia de Michel, Alice Gioia, afirma que o sobrinho tem leucemia, está internado no Hospital A C Camargo, em São Paulo, e procura um doador compatível para o transplante. Seus familiares são incompatíveis, o que torna a procura mais difícil.

“Procuramos o HEMOAM mas fomos informados que não há insumos há mais ou menos 3 anos para essa coleta. Isso é um descaso. Não falo só pelo Michel mas quantas pessoas deixam de ser ajudadas por causa disso?”, lamentou Alice.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, há cerca de 25% de chances de se encontrar um doador compatível na família. Já na doação não aparentada, as chances do paciente encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média. É o caso de Michel.

O INCA orienta que os voluntários para o cadastro devem se dirigir ao banco de sangue de seu estado para fazer o teste. Os dados entram no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e as informações dos pacientes que necessitam de transplante sem um irmão compatível são incluídas no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME). Os dados dos dois registros são cruzados para verificar a compatibilidade entre pacientes e doadores.

“Precisamos correr contra o tempo. Estamos fazendo uma campanha para encontrar doadores mas sem o material necessário para colher o sangue fica impossível. Quantas vidas estão sendo perdidas? Quantos pacientes na mesma situação do Michel estão precisando dessa chance? A população está impedida de salvar vida”, disse Alice Gioia.

Segundo ela, mais de 100 pessoas já assinaram um termo se disponibilizando a doar mas estão impedidos pelo Estado.

Um áudio enviado pelo próprio diretor do HEMOAM, Nelson Fraiji, para o grupo de familiares, afirma que há cerca de 2 mil kits para a coleta de material. No entanto, esses kits serã utilizados em cidades do interior onde há maior miscigenação e etnias indígenas.

Nota do Hemoam

A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), informa que não é por falta de material que deixou de realizar exames para doadores voluntários de medula óssea na capital. E sim porque o número de cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) já atingiu a cota de representação genética para Manaus e agora o banco local pretende buscar perfis genéticos do interior.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde (MS), que coordena o Redome nacional, estabelece uma cota para cada estado brasileiro cadastrar doadores. Em Manaus, segundo o Hemoam, há milhares de pessoas cadastradas no Redome, o que garante um perfil genético da região.

Por essa razão, a coleta de novos doadores não vai modificar a oportunidade de se encontrar doador compatível. A probabilidade de encontrar um doador em um banco de medula óssea é de um em 100 mil, já entre irmãos, filhos do mesmo pai e mãe, é de 1 para 4 (25%). Ou seja, quando não há compatibilidade na família o caminho é buscar os bancos de medula, primeiramente do Estado, depois de outros Estados no Brasil e de bancos internacionais, para aumentar a probabilidade.

Neste sentido, o Hemoam trabalho agora em busca de representação genética das populações miscigenadas com etnias que não estão contempladas no Redome local e nacional. As coletas serão realizas nos municípios de Humaitá, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira e em outros locais onde há prevalência de populações autóctones (populações que viviam em uma área geográfica antes da colonização). O objetivo é buscar uma representação de todo o expecto genético da população brasileira.