Faturamento da indústria cai 16,7% por causa da greve dos caminhoneiros

Indicadores Industriais da CNI mostram que a falta de insumos prejudicou a produção. Em maio, a ociosidade subiu para 24,1% e o emprego teve a primeira queda depois de sete meses consecutivos de expansão

O faturamento da indústria caiu 16,7% em maio na comparação com abril na série livre de influências sazonais. Foi a maior queda mensal do indicador, e o resultado reverteu os ganhos registrados desde outubro de 2016. A informação é dos Indicadores Industriais, divulgados nesta sexta-feira, 29 de junho, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, a forte retração do faturamento foi provocada pela greve dos caminhoneiros nos últimos dias do mês passado.

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, a paralisação dos serviços de transporte no fim de maio agravou as dificuldades que a indústria encontra para se recuperar da crise. “Os resultados do primeiro trimestre ficaram aquém do esperado, pois a indústria enfrenta problemas com a baixa demanda, a alta ociosidade, dificuldades de financiamento e incertezas econômicas que prejudicam a atividade industrial”, afirma Azevedo.

Com isso, todos os indicadores registraram queda em maio. A utilização da capacidade instalada caiu para 75,9%, o menor percentual desde 2003, quando começou a série histórica. Isso significa que o setor operou com uma ociosidade de 24,1% em maio. As horas trabalhadas na produção recuaram de 2,4% em maio frente a abril, na série com ajuste sazonal.

Os indicadores de mercado de trabalho também pioraram. O emprego caiu 0,6% em maio na comparação com abril na série dessazonalizada. “Foi a primeira queda após sete meses de moderado crescimento e reverte toda a expansão registrada em 2018”, afirma a pesquisa. A massa real de salários caiu 1,7% e o rendimento médio real do trabalhador da indústria recuou 1,4% em maio frente a abril, na série com ajuste sazonal.