FIEAM completa 58 anos em cenário econômico instável

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, reafirmou, nesta quinta-feira, 2, que a instituição mantém-se atuante em defesa dos interesses do setor produtivo do Amazonas, atenta aos ataques ao modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) e apoiando as iniciativas para diversificação da atividade econômica, especialmente nos segmentos em que a região possui potencial natural. O pronunciamento aconteceu por ocasião da reunião especial de diretoria que comemorou os 58 anos da FIEAM, completados nesta sexta-feira, 3.

Como convidado especial, o gerente executivo de Política Econômica da Confederação NacionaI da Indústria, Flávio Castelo Branco, apresentou a palestra “A encruzilhada da economia brasileira: o momento atual e as perspectivas pós-eleições”, com base em pesquisa divulgada recentemente pela CNI, que mostra um cenário econômico nada promissor para o Brasil, com índice elevado de desemprego e um déficit fiscal crescente. Isso, segundo ele, evidencia a falta de reformas prioritárias, como a Previdenciária, que poderia dar ao país um fôlego de R$ 4 bi para investir.

Castelo Branco mostrou as incertezas sobre os resultados das eleições e os rumos da política econômica do novo governo, associadas aos impactos da greve dos caminhoneiros e às mudanças do cenário internacional, comprometendo o desempenho da indústria e da economia brasileiras. Com isso, a CNI diminuiu as previsões para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB Industrial.

Apesar dos aumentos de preços provocados pela greve dos caminhoneiros, a inflação continuará baixa, de acordo com o executivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 4,21%, abaixo do centro da meta de 4,5% fixado para este ano. Em abril, a previsão era de uma inflação de 3,7% neste ano. Com a inflação sob controle, os juros básicos da economia fecharão o ano em 6,5% ao ano, acima dos 6,25% previstos em abril.

O déficit fiscal elevado é um problema sério, que chega a R$ 500 milhões ou 600 milhões de reais acumulados desde 2014. O déficit fiscal e a dívida pública crescentes mostram que o próximo governo terá de fazer um grande esforço para equilibrar as contas. “A reforma da Previdência é crucial para esse esforço, mas não é por si suficiente”, frisou o executivo.

A CNI destaca avanços realizados com as reformas na área fiscal, com limites para os gastos públicos, educacional, com a reforma do ensino médio, trabalhista, com a possibilidade da terceirização e exclusão de acidentes de trajeto do cálculo do FAP (Fator Acidentário de Prevenção), o que fez com que as empresas contratassem mais e assim impulsionassem as indústrias.

Em outra palestra, com o tema voltado à inovação na ZFM, o diretor de P&D e Relações Governamentais da empresa Positivo, José Goutier Rodrigues, falou sobre as alterações na Lei de Informática. De acordo com Rodrigues, o Amazonas vai sofrer os reflexos dessas mudanças, com a principal perda de benefícios de IPI, fazendo com que as empresas percam o interesse em investir, ficando concentradas em São Paulo, base forte da indústria.

“Nosso interesse é isonomia, temos que ter benefícios igualitários para mantermos essa base industrial pujante que tem no Amazonas”, frisou Rodrigues.

Estiveram presentes na sede da FIEAM, o deputado estadual Orlando Cidade, representando a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba Filho, e o representante da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado do Amazonas, Ricardo Miranda.