Foco em resultados, OKRs e o futebol Por Francisco S. Homem de Mello

Foco em resultados é uma das competências mais usadas – e abusadas – por empresas em seus processos de recrutamento e seleção e gestão de desempenho. Mas, o que exatamente quer dizer ter foco em resultados? Resolvemos entrar no clima de Copa do Mundo e no universo das OKRs – (Objectives and Key Results) metodologia de gestão por metas, que foi desenvolvida no Vale do Silício e é praticada por empresas como Google, Linkedin e Dropbox.

No futebol, foco em resultados não falta. O placar é o resultado. De nada adianta se o time joga bem, os jogadores fazem grandes dribles e a seleção ter treinado horrores, se o resultado do jogo não for a vitória. A máxima “O importante é competir” faz sucesso entre pais e filhos, mas não muito no esporte de alto rendimento. O que acontece quando um time para de ganhar e entregar resultados? O técnico geralmente é substituído, assim como alguns dos seus jogadores.

Os dirigentes de clubes e seus torcedores são implacáveis, e não querem saber o quanto o time de esforçou. O que vale é o gol. Mais do que isso: fazer mais gol do que tomar. Portanto, não falta foco em resultados em um time de futebol. Já nas empresas a coisa complica um pouco. Para começar, o resultado nem sempre é tão claro quanto no esporte. Ao contrário da vitória no futebol, o resultado de uma empresa pode ser mais aberto a inúmeras interpretações. Medidas financeiras como lucro, faturamento e retorno sobre o capital investido são bons indicadores, mas estão longe de serem definitivos.

O Balanced Scorecard, que é uma metodologia criada pelos acadêmicos americanos Robert Kaplan e David Norton, tentou criar um conjunto de direcionadores que deveriam refletir mais holisticamente como se define o sucesso de uma empresa. Se é difícil definir o que é resultado para uma empresa, muito mais difícil é definir o que é resultado para uma área ou colaboradores. Para um grupo em especial, os vendedores, essa tarefa é um pouco mais fácil. Assim como para a turma do futebol, é muito difícil argumentar contra a facilidade de se medir o desempenho de um vendedor com base na sua métrica fundamental: a venda.

Vendedores tendem a ser muito focados em resultado, e terem uma forma de trabalho bastante orientada para isso, com cotas, metas, indicadores e rituais todos orientados para o atingimento desses resultados. Em times ágeis de produto, por exemplo, pode ser muito mais difícil manter o time com foco no resultado. Esses grupos, usualmente compostos por um conjunto de profissionais de áreas de atuação diferentes (como desenvolvedores, designers, gestores de produto etc), geralmente o foco está mais na entrega, características, diferenciais e funcionalidades de software, e menos em indicadores de negócio.

É muito raro que esses times saibam para que estão fazendo algo, ou seja, que resultado de negócio estão tentando melhorar, e que se sintam responsáveis por esses resultados. Pode-se esforçar muito e gastar meses construindo um novo “carrinho” para um site de e-commerce, mas de nada vai adiantar todo esse empenho se essa nova funcionalidade não se traduzir em mais vendas para a empresa. No entanto, uma das ferramentas mais potentes para se melhorar o foco em resultados são as OKRs, pois essa metodologia força seus praticantes a pensarem em termos de resultados. A meta é composta por um objetivo, que é uma descrição qualitativa do resultado de negócio a ser atingido (como “aumentar o faturamento da empresa”, “melhorar a lucratividade do produto XYZ” ou “reduzir os custos com transportes” e assim por diante). Muitas vezes, os colaboradores têm metas, mas pouca noção clara do porquê delas.

O objetivo deve estar sempre acompanhado por um conjunto de indicadores – os resultados-chave -, que servem como forma de se medir se o objetivo foi ou não atingido. Por exemplo, uma OKR de um time deve contribuir diretamente à OKR da unidade organizacional que faz parte o time, devendo contribuir às OKRs da empresa. Assim, todos têm consciência constante de como suas iniciativas contribuem para aos resultados da companhia. Como e o porquê usar as OKRs para reforçar essa competência são importantes para apontar os esforços dos colaboradores em direção aos resultados primordiais.

Vai Brasil rumo ao hexa!

Francisco de Mello é apaixonado por cultura organizacional, fundador da Qulture.Rocks, startup de tecnologia para a gestão de desempenho. [email protected]