Francisco Deodato deixa a Susam

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, a insulina Lantus está entre os itens encontrados na Cema

A partir desta terça-feira, (28/08), o comando da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) passará a Orestes de Melo Filho, em substituição a Francisco Deodato, que estava no cargo desde outubro de 2017, quando a nova gestão assumiu, após eleições suplementares para mandato de 15 meses. Deodato está se desligando da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), para participar da campanha à reeleição do atual governador, Amazonino Mendes. O anúncio foi feito por ele, em reunião nesta segunda-feira (27), com gestores de área, diretores de unidades e de fundações.

Orestes de Melo Filho, que assume a direção da Susam, já atuava no órgão como secretário executivo, tendo tido importante participação no processo de negociação das dívidas herdadas de gestões passadas, com as cooperativas médicas, que chegavam a R$ 311 milhões. As negociações resultaram num acordo histórico de parcelamento dos débitos, permitindo à Susam retomar a normalidade dos serviços, que vinham sendo afetados por constantes paralisações. Ele também teve importante participação no saneamento da pasta, readequando os contratos e padronizando os serviços, preços e projetos, o que permitirá uma economia de R$ 300 milhões até o final do ano, sem prejuízo ao atendimento.

O novo secretário é engenheiro civil, com formação superior também em Administração Hospitalar e Gestão de Sistemas de Saúde. Atuou na Susam como diretor dos hospitais Chapot Prevost, 28 de Agosto e João Lúcio Machado. Foi secretário executivo da Susam, entre 1999 e 2002, período em que o órgão foi também dirigido por Francisco Deodato. Ele foi, ainda, subsecretário municipal de Saúde de Manaus, por duas vezes, em 2004, e entre 2009 e 2012.

Orestes agradeceu a confiança que está sendo a ele depositada pelo governador Amazonino Mendes e reafirmou a intenção de continuar o trabalho que vinha sendo feito por Francisco Deodato, com foco na reestruturação da saúde, na melhoria dos serviços e na recuperação da confiança no setor pela sociedade. “Temos uma missão muito importante, que é oferecer serviços públicos de saúde de boa qualidade à população. Estamos trabalhando nisso desde outubro do ano passado e muita coisa já foi concluída. O que não foi, nós vamos concluir e deixar um legado de mudança na saúde pública”, disse o novo secretário da Susam.

Com a saída de Deodato da Susam, outras mudanças estão sendo feitas na direção do órgão, em função dos deslocamentos de cargos. Como secretária executiva do órgão, assumirá a administradora Lucilene Bezerra de Souza, que era secretária executiva Adjunta do Fundo Estadual de Saúde (FES). Em seu lugar, ficará Luandy Lemos de Paula, que é pós-graduada em Direito Público e que já atuava no órgão também. Como secretária Adjunta de Atenção Especializada da Capital assume a enfermeira Joselita Nobre, que estava na chefia do Departamento de Atenção de Saúde da Capital. Joselita assumirá o lugar da odontóloga Denise Machado, que também está deixando o cargo na Susam.

Avanços já alcançados – Em pouco mais de 10 meses de administração na Susam, Francisco Deodato, que é médico por formação, deixa resultados importantes, principalmente, com relação à reestruturação da saúde. Quando assumiu, ele disse que o principal desafio seria, em pouco tempo, reconstruir o setor, afetado por graves problemas. Esta foi a segunda vez que ele ocupou o cargo de secretário estadual de saúde. A primeira, também no Governo Amazonino Mendes, foi no período de 1999 a 2002. Ele foi também secretário municipal de saúde de Manaus, de 2009 a 2012, e de Parintins, de 1995 a 1996.

Como marca do modelo de gestão que construiu nesses dez meses, ele cita que deu à Susam uma administração técnica e profissional. “Seguimos a missão que nos foi confiada, de reconstrução da saúde. Hoje, já registramos muitos avanços, ainda temos dificuldades, mas a secretaria segue com a mesma equipe, agora sob o comando daquele que esteve conosco desde o primeiro dia dessa administração, que é o Dr. Orestes, um homem de gestão, experiente, e que, certamente, continuará esse processo”.

Deodato considera que, apesar do pouco tempo de gestão, passos importantes foram dados, no cumprimento da missão de reconstrução de uma área que passava por graves dificuldades. “A população pode ficar certa da seriedade e compromisso com que a saúde vem sendo tratada. Os desafios ainda são muitos, mas estão sendo enfrentados e os resultados já podem ser sentidos. A rede pública de saúde não é mais a mesma que encontramos e tenho certeza que o meu sucessor na pasta está preparado para dar continuidade ao trabalho que iniciamos”, afirmou.

Durante a gestão de Francisco Deodato na Susam, o número de leitos na rede pública estadual de saúde foi ampliado. Foram criados 343 novos leitos, sendo 289 de internação e 54 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). Também foram retomadas as obras que estavam paradas, na capital e no interior, totalizando investimentos na ordem de R$ 82,8 milhões, incluindo a recuperação de quase todas as unidades de saúde da capital, que foram recebidas com sérios problemas estruturais.

Foram retomadas as seguintes obras: construção das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Cidade Nova, em Manaus, e Itacoatiara; do Centro Especializado em Reabilitação 4, na capital; e do SPA do Distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré. A obra do Hospital do Careiro Castanho, que também estava parada, foi retomada e entregue nesta administração, em julho. A Susam também firmou convênios no valor de R$ 17,8 com as Prefeituras, para a recuperação de hospitais no interior, abrangendo a reforma e ampliação do Hospital Regional Lázaro Reis e Maternidade Cecília Cabral, de Manacapuru, para onde estão sendo destinados R$ 8,3 milhões.

Dentre as principais obras realizadas na capital, estão: a inauguração de uma nova UTI pediátrica no Pronto-Socorro da Criança (PSC) da Zona Sul, que vinha funcionando em espaço improvisado e insalubre; reforma de duas UTIs pediátricas do PSC da Zona Oeste, que também foram equipadas; reforma do centro cirúrgico do PSC da Zona Leste; ampliação de dois para cinco, no número de leitos da UTI pediátrica do Hospital e Pronto Socorro Dr Platão Araújo; reforma da Maternidade Nazira Daou – incluindo UTIs e enfermarias; e conclusão de um andar inteiro de enfermarias na Fundação Hospital Adriano Jorge, abrindo 47 novos leitos de retaguarda. Na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) inaugurou a primeira Sala Inteligente para cirurgias minimamente invasivas do SUS, na região Norte, além de um centro cirúrgico e a abertura de mais 13 leitos.

Na parte de equipamentos, a atual administração colocou para funcionar os sistemas de refrigeração das unidades, que foram recebidos com condicionadores de ar sucateados, sem manutenção e que estavam sempre parando de funcionar. Foram adquiridos 300 novos aparelhos, tipo Split, que já estão sendo instalados. Todas as unidades da capital serão beneficiadas e o processo de instalação dos aparelhos deverá ser concluído até meados de setembro.

Foram recuperados os tomógrafos que apresentavam problema, nos prontos-socorros Dr João Lúcio Pereira Machado e 28 de Agosto. Os técnicos da Siemens, fabricante dos aparelhos, vieram a Manaus para substituir as peças com defeito, depois de a Susam saldar uma dívida de R$ 1,3 milhão, também herdada de gestões anteriores com a empresa. Nessas duas unidades, a Susam também começa a instalar, com prazo para conclusão em um mês, dois novos tomógrafos, que foram adquiridos por meio de Termo de Compromisso assinado entre a Coca-Cola e o Governo do Amazonas.

Na área de equipamentos, outras importantes ações foram feitas. No Hospital Francisca Mendes, que estava sem aparelho de hemodinâmica, foi providenciado o conserto do equipamento que estava com defeito, e a Susam instalou um novo aparelho. Na FCecon, o aparelho de ressonância, que estava parado há quatro anos, também foi recuperado. O Governo do Estado investiu mais de R$ 913 mil na reativação do aparelho e adequação do espaço que abriga o equipamento na FCecon.

Recursos Humanos – Na área de recursos humanos, a atual gestão também tem importantes resultados. Logo que assumiu, deu posse a 590 pessoas e já convocou mais 1.642 – 428 em fevereiro, 538 em maio e 676 em junho, todas do concurso de 2014, que tem validade até 2019.

Os trabalhadores da saúde, que estavam desde 2015 sem reajuste salarial e sem que a data base fosse cumprida, receberam, em maio, 10,85%, referentes à data base do ano (2,68%) e a de 2015 (8,17%). O auxílio alimentação de R$ 220,00, que era concedido a apenas 3,6 mil servidores e havia sido suspenso em 2016, foi retomado e estendido a todos que atuam na capital e no interior. Em junho, o benefício aumentou de R$ 220 para R$ 420.

Outro importante avanço conseguido foi a reestruturação do sistema de marcação de consultas e exames especializados, acabando com as filas, de madrugada, nas portas das unidades de saúde. Agora, o paciente em atendimento em qualquer unidade do SUS (seja do Estado, município ou clínicas e laboratórios conveniados) e que precise de consulta ou exame especializados, já faz, ali mesmo, a solicitação online, pelo Sistema de Regulação (Sisreg), com equipe destacada para isso. Depois, recebe a confirmação e as informações necessárias, por telefone e mensagem de SMS. Pela primeira vez, todas as vagas estão sendo disponibilizadas através do sistema, permitindo total transparência e controle do processo de regulação.

Na parte de medicamentos, passos importantes também foram dados. A atual administração recebeu a Central de Medicamentos (Cema) com capacidade de abastecimento de apenas 25% da demanda. O restante estava sendo comprado pelas próprias unidades, sem padronização e controle. A Cema organizou o sistema de logística de distribuição dos medicamentos, padronizou os processos de compras e retomou o controle do abastecimento das unidades. De outubro a julho deste ano já foram investidos, pelo Governo Estado, R$ 141 milhões em empenho para compra de medicamentos e insumos.

Interior – No interior, os repasses para a saúde, que estavam suspensos, foram regularizados. Alguns municípios estavam há 17 meses sem receber. De outubro de 2017 até o momento, já foram repassados R$ R$ 62,6 milhões aos municípios. Com a retomada dos repasses, os hospitais do interior começam a ser recuperados. A atual administração da Susam está também entregando aos municípios 100 ambulâncias que foram adquiridas pelo Governo do Estado. Já foram entregues 72, sendo 40 de Suporte Avançado, com UTI, e 32 de Suporte Básico. Até o final do mês todas serão entregues. Do total de ambulâncias, 78 são destinadas ao interior e 22 para a capital.