A utilização de robôs para executar tarefas complexas em etapas da produção tem sido cada vez mais frequente, seja na indústria automobilística, na indústria de alimentos e bebidas, eletroeletrônica, química e em outros setores. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial, José Rizzo, aqui no Brasil, são instalados em média 1,5 mil robôs por ano. Mas, embora seja um avanço, este é um volume considerado ainda muito baixo em relação aos países mais desenvolvidos.

“A gente estima que a defasagem de robôs no Brasil hoje, pelo tamanho da nossa indústria, pela quantidade de postos de trabalho insalubres, beira 200 mil robôs. Ou seja, para a gente trazer o Brasil para um patamar semelhante aos países mais desenvolvidos, nós teremos que ter mais 200 mil robôs operando. Há 1,5 mil robôs por ano e nem em 100 anos a gente consegue reduzir esta defasagem.”

E o fato de imaginar que humanos serão gradativamente trocados por robôs em diversas atividades profissionais tem deixado muita gente preocupada, já que eles podem trabalhar 24 horas por dia, não fazem greve e dificilmente sofrem acidentes. Porém, segundo José Rizzo, o ideal é que as pessoas possam trabalhar em conjunto com estes robôs para aumentar a produtividade.

“O que se passa com a robótica agora não é diferente do avanço tecnológico que a gente observou em períodos anteriores e que vão acontecer daqui para frente. O que nós precisamos então é, dentro dessa realidade, procurar trabalhar de forma a readequar a nossa força de trabalho para que a gente tenha pessoas que possam trabalhar, na verdade, em conjunto com estes robôs, em conjunto com estas novas tecnologias. Este é um desafio que todos os países do mundo estão passando, alguns com pouco mais de facilidade e outros de dificuldade, mas não é uma coisa que a gente possa mudar.”

De acordo com a Federação Internacional de Robótica, em 2019, o setor da indústria deve adquirir 400 mil robôs industriais. No Brasil, serão 3.500 novas unidades nas fábricas, mais que o dobro do registrado em 2015, que foi de 1.407 unidades.

Reportagem, Cintia Moreira.