Jovens cientistas apresentam trabalhos desenvolvidos no Programa Ciência na Escola

Mais de 20 projetos científicos, desenvolvidos por alunos da rede pública de ensino, expuseram seus trabalhos durante a II Mostra de Projetos do Programa Ciência na Escola (PCE). O produto é o resultado das atividades feitas pelos alunos-cientistas em sala de aula e com auxílio de um professor-orientador.

Ao longo do ano, pelo menos 400 projetos, tanto de escolas da rede estadual de ensino, quanto da municipal e federal, foram selecionados para o PCE, que é desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que abriu edital em março deste ano e incentiva a iniciação científica aos estudantes.

Com os trabalhos selecionados no PCE, os professores puderam colocar em prática os projetos, junto com os jovens cientistas, e o resultado de alguns desses trabalhos puderam ser conferidos no hall de galerias da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC), na manhã desta quarta-feira (06).

Classroom – O professor da disciplina de História do Colégio Militar da Polícia Militar I (CMPM I), Favianni Silva, utilizou os recursos tecnológicos que a Seduc oferece, em parceria com a Google, e criou o “Classroom”, uma ferramenta de ensino na qual dinamizou ainda mais o ensino de História para os alunos da 1ª série do Ensino Médio.

“Conseguimos implantar na escola o projeto-piloto em três salas de aula virtuais, acompanhamos durante o terceiro trimestre os alunos, com atividades e até provas, criando um ambiente virtual de ensino”, declarou o professor.

A aceitação do Classroom, segundo o professor, foi excepcional, e o resultado bem satisfatório. Conseguimos acompanhar as atividades em tempo real. Os alunos passaram a tirar dúvidas em sala de aula, invertendo a metodologia, pois os conteúdos eram ministrados no ambiente virtual e em sala de aula eles aproveitavam para tirar as dúvidas”, acrescentou Favianni.

Com o Classroom, os alunos estudavam, faziam atividades em casa, tudo pelo ambiente virtual, com conteúdo em Power Point, videoaulas, exercícios, e a interação acontecia pelo aparelho celular ou um computador convencional, onde aconteciam a interação, colaboração interação, melhorando o o comportamento e desempenho dos alunos em sala de aula.

Segundo Favianni, com a implantação do projeto nas turmas D e H do CMPM I, os alunos passaram a usar o celular em sala de aula para fins educativos. Acompanhavam a aula pelo celular e faziam na hora as atividades pendentes.

A jovem cientista Débora Louise, 15, da 1ª série do Ensino Médio do CMPM I, é uma das bolsistas do projeto. Ela conta que o PCE contribuiu para uma melhoria significativa sua em sala de aula. “Quando passei a fazer parte do projeto, conheci novas ferramentas. A qualquer momento e lugar posso ver o conteúdo da disciplina pelo celular ou computador. Podemos desenvolver os conteúdos de forma colaborativa, eu da minha casa, um colega da casa dele, ao mesmo tempo, e no mesmo relatório”, confessou.

Leis de Newton – A professora de física, Janile Silva, e seus alunos bolsistas do PCE apresentaram o projeto “Ensino da Física através da aerodinâmica na construção do foguete”, do Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Áurea Pinheiro Braga, na zona oeste, utilizando a aerodinâmica do foguete, com garradas PET, água e uma bomba de encher pneu de biscicleta, despertando o interesse da disciplina nos alunos. E o resultado deu certo.

“A construção do foguete é simples, com garrafas PET. Levamos para os alunos os fundamentos da Lei de Newton de forma simples e descontraída”, ressaltou a professora, destacando que o projeto ficou em segundo lugar na Feira de Ciências da Amazônia, realizada semana passada em Manaus. “O projeto funciona, é viável e está preparado para ser inserido junto com o ensino em sala de aula”.

Expressões populares – Existente há 10 anos, o projeto “Diversidade em Ações” é desenvolvido pelo professor coordenador Otto Franco e pelos alunos bolsistas na disciplina de educação física da Escola Estadual de Tempo Integral Maria Rodrigues Tapajós, que vêm trabalhando com as expressões populares. Neste ano, Otto resolveu “materializar o trabalho do cotidiano” do ano letivo, submetendo o trabalho à Fapeam.

O projeto busca dialogar na escola 15 linguagens da diversidade, passando pela história da África, história indígena brasileira, danças populares dentro da questão étnica, trabalhando o gênero de indenidade, dentre outros.

A coordenadora do PCE pela Seduc, Simara Couto de Abrantes, destaca que a Mostra serve como estímulo de divulgação dos projetos científicos escolares e que, nesses quase 14 anos de PCE, os trabalhos precisam ser mostrados cada vez mais. Ela explica que, a cada ano, o PCE se inova, de acordo com o momento do panorama nacional.

“Temos projetos voltados para o empreendedorismo, por conta da necessidade de se empreender cada vez mais. Alguns expuseram em outras feiras, como do Ifam, Ufam e na Feira de Ciências da Amazônia”, comentou.

Imigração indígena – Durante a mostra dos projetos do PCE, aconteceu uma ação com os indígenas venezuelanos da etnia Warao, a qual faz parte de um bloco de ações que a Seduc desenvolve em torno da imigração, dos apátridas e refugiados. A ação teve parceria de outras secretarias do Estado e município. Coordenado pela professora Tatiana Afonso, da Gerência de Atendimento à Diversidade (Gaed) da SEDUC, os Warao compuseram o espaço do hall de galerias para demonstrar a cultura venezuelana, com artesanato.

Neste primeiro momento, a SEDUC atendeu, de forma imediata, os indígenas, por meio de atividades lúdicas que envolve a arte e modalidades esportivas, tendo como parceiros a Gerência Escolar Indígena (GEI), Gerência do Ensino Fundamental 2 (Genf 2) e a Coordenação de Educação Física.

FOTO: JHONNY LIMA/SEDUC