Meirelles condena “caixinha” de Ciro e promete Justiça livre em seu governo

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato à presidência do MDB, Henrique Meirelles, criticou o posicionamento de Ciro Gomes, do PDT, que defendeu a interferência política nas ações do poder Judiciário.

O pedetista disse que, se eleito, irá colocar juízes e promotores em suas respectivas “caixinhas”, restabeleceria a autoridade do poder político no país e, inclusive, deixou a entender que interferiria nas decisões da Justiça em favor de condenados na Operação Lava Jato, a exemplo do ex-presidente Lula. A entrevista foi ao ar na TV Difusora, do Maranhão, no dia 16 de julho.Internet Divulgação Questionado sobre o tema, Meirelles afirmou nesta sexta-feira (27), em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que, ao contrário de Ciro, é contra a politização da Justiça.

Para Meirelles, a Justiça do país precisa atuar de forma livre, sem sofrer nenhum tipo de interferência, principalmente do presidente da República.

“Presidente que vai tentar enquadrar, botar em caixinha, esse tipo de coisa que estão falando por aí. A Justiça tem que prevalecer. Sou contra a politização da Justiça, tentar politizar a Justiça, não. A Justiça tem que ser independente, livre”.

A fala de Ciro foi condenada também por especialistas em política. O comentarista da TV Gazeta, José Nêumanne Pinto, pesquisou o termo usado pelo pedetista, a “caixinha”, e explica que a gíria pode ser usada como sinônimo de propina.

“Fui o dicionário, no Aurélio, e vi que “caixinha” na gíria é propina. O que ele falou é a exata tradução do que ele acha que pode fazer. Ele não tem nenhum apreço pelo Estado de direito, ele não tem nenhum respeito ao eleitor e não tem respeito também pela nossa inteligência, quando tenta transferir as besteiras que diz a “mídia vendida”.

Os postulantes ao Planalto, Manuela D’Ávila, do PC do B, e Guilherme Boulos, do PSOL, também afirmaram que, se eleitos, vão usar o poder presidencial para interferir em ações da Justiça.

Além disso, o PT pode ainda ir além. O partido do ex-presidente Lula estuda mudar as leis que hoje permitem à Justiça combater a corrupção.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta semana, revela que o partido esboça projeto para mudar as regras das leis anticorrupção, antiterrorismo e de combate à organizações criminosas no país.

A ideia do partido de Lula é acabar com a delação premiada, método usado pelos investigadores para chegar aos mandantes dos crimes, e limitar a ação do Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações criminosas de corrupção.

Reportagem, Cristiano Carlos