Mesmo com Selic indo bem, bancos demoram a repassar créditos mais baratos aos consumidores, avalia especialista

Em decisão já esperada pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira (20), pela segunda vez consecutiva, manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano.

A Selic foi cortada 12 vezes seguidas de outubro de 2016 a março deste ano. Em maio, encerrou o ciclo de cortes e, agora, pelo segundo mês consecutivo, o Copom decidiu que era melhor manter a taxa em 6,5%. Paulo Dantas da Costa, economista e ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) avalia a decisão como positiva.

“Hoje nós estamos vivendo uma situação que é bem diferente do que nós tínhamos há um, dois anos atrás, quando a taxa de juros estava muito acima. Isso é muito bom em relação a vários aspectos. Em primeiro lugar, uma redução da despesa pública, na medida em que essa taxa de juros do pagamento dos juros que incide na divida pública ele se reduz. Isso é muito positivo. Taxa de juros mais baixa induz ao aumento do investimento, especialmente daqueles que pretendem fazer investimento e vai no mercado financeiro na captação do recurso.”

A Selic é a taxa básica de juros da economia. Sendo assim, quando a inflação está alta, a taxa também costuma ser elevada pelo Copom. Com isso, os juros cobrados pelos bancos tendem a subir encarecendo o crédito – como financiamentos, empréstimos e cartão de crédito – freando o consumo e reduzindo o dinheiro em circulação na economia. Mas na opinião do economista Paulo Dantas, mesmo quando a Selic está indo bem, os bancos demoram a colocar essa melhora ao consumidor de crédito.

“Deveria ter uma repercussão mais significativa no que diz respeito aos financiamentos que as pessoas têm. Seja o comércio, seja os bancos que fazem financiamentos pessoal, eles retardam, eles não refletem essa redução que nós estamos tendo no Brasil, no que diz respeito à taxa de juro. Então, temos a taxa de 6,5 % que é positivo, mas por outro lado tem o custo dos financiamentos que as pessoas fazem em cima de cartão de crédito, que passam dos 300%, as vezes beira os 400% ao ano.”

O Banco Central informou ainda que, apesar da volatilidade no cenário externo e do aumento de preços causado pela greve dos caminhoneiros no mês passado, a perspectiva é de que a meta de inflação, de 4,5% em 2018, seja alcançada.

Reportagem, Juliana Gonçalves