Ministério Público diz que teve que interferir para evitar tragédia maior em Caapiranga

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) informa por meio de nota que, com relação aos atos de vandalismo praticados por manifestantes na cidade de Caapiranga, a 134 km de Manaus, o MP-AM atuou, por meio do Promotor de Justiça Daniel Amazonas, titular da Promotoria de Justiça de Caapiranga, na tentativa de conter os ânimos da população e evitar uma tragédia ainda maior.

De acordo com o Promotor, na manhã desta quarta-feira, 22 de agosto, ele foi chamado pelo delegado à delegacia da cidade para negociar com centenas de manifestantes que queriam invadir o local e linchar um homem e uma mulher, suspeitos de terem cometido o homicídio de um rapaz.

O Promotor tentou negociar com a população, a fim de que a polícia pudesse dar continuidade à investigação do assassinato e os manifestantes se afastassem da delegacia, porém, mais de 200 pessoas que eram instigadas por um grupo de 20 populares insistiam em invadir a delegacia para retirar os dois suspeitos.

A situação, que já era tensa, ficou descontrolada por voltas das 17 h, quando a multidão tentou invadir a delegacia atirando pedras. Os policiais deram tiros de advertência e daí, começou a troca de tiros entre manifestantes e policiais. “Eu estava no pátio da delegacia, jogaram um tijolo na minha direção, aí eu vi que começou aquela chuva de pedras, um policial deu um tiro para o chão, outro um tiro pra cima. Os policiais começaram a atirar pra se defender, não agiram de forma açodada. Foi meia hora de troca de tiros, a própria segurança institucional do MP foi lá, me resgatou, e confirmou que encontraram cápsulas de rifles, balas do outro lado que também atirou, mas o estrago foi grande, destruíram a delegacia”, relatou o Promotor.

Após a troca de tiros, populares ainda tentaram incendiar a delegacia jogando bombas caseiras, também fizeram barricadas para impedir a saída de quem estava no prédio.
Depois que a situação foi controlada com reforço policial, o Promotor de Justiça Daniel Amazonas foi trazido para Manaus, escoltado por policiais da segurança institucional do MP-AM, às 2h da manhã desta quinta-feira, 23 de agosto. O Promotor foi atingido por uma pedra, mas não se feriu e passa bem.

A Procuradoria-Geral de Justiça acompanha a investigação da polícia para tomar as medidas necessárias com relação a esse lamentável episódio de violência e vandalismo.

Entenda o caso

Reforços da Polícia Militar e Polícia Civil foram enviados a Caapiranga (a 134 quilômetros de Manaus) no início da noite desta quarta-feira (22/08) para conter ações de depredação do patrimônio público e tentativa de invasão a 32ª Delegacia Especializada de Polícia da cidade.

A agitação ao redor da unidade policial começou após a informação da transferência, para Manacapuru, de Osiane Mendes Lopes e Reginaldo Pereira dos Santos Júnior, que estavam presos desde a madrugada sob a suspeita de envolvimento em um homicídio.

Desde segunda-feira, Cosmo Dantas Mendes está desaparecido e, segundo denúncias e investigações da polícia, os dois presos são suspeitos da execução do rival. Até o momento, o corpo não foi localizado.

De acordo com a Polícia Civil local, os três têm diversas passagens pela polícia por envolvimento com o tráfico de drogas, porte de arma de fogo e homicídio. Osiane, vulgo ‘Pingo’, fazia parte do mesmo grupo criminoso de Cosmo, conforme informações preliminares. Mas estavam rompidos.

À noite, a situação foi controlada com a dispersão da população pelas tropas do reforço policial. A Força Tática de Manacapuru, além de policiais civis e PMs de Manaus foram enviados, seguindo determinação do secretário de segurança, Coronel Anézio Paiva.

Por telefone, o delegado titular de Caapiranga, Sinval Souza, informou que a unidade foi completamente depredada e que uma viatura da PM e outra da PC também foram danificadas. Segundo o delegado, a ação foi comandada por comparsas e familiares dos três infratores envolvidos no caso.

O desaparecimento é um caso de repercussão na cidade e a notícia da transferência dos presos levou dezenas de curiosos para frente da delegacia. Infratores armados com espingardas atiraram contra a unidade policial quando o tumulto popular começou.

O delegado Sinval foi ferido por um tiro de raspão na cabeça, e passa bem. O promotor da cidade, que acompanhava o caso na delegacia e negociava com familiares dos presos a remoção, levou uma pedrada na cabeça.

O Secretário de Segurança Pública, Coronel Anézio Paiva, determinou apuração rigorosa do episódio para identificar e prender os envolvidos na ação criminosa. Reforços policiais permanecerão na cidade e um efetivo do Grupo Fera e do Comando de Policiamento Especializado da PM também chegou a cidade, no fim da noite, para o restabelecimento da ordem.

A unidade de saúde de Caapiranga confirma um óbito e nove feridos. Dos feridos, quatro homens receberam alta após atendimento na cidade, outros três homens e uma mulher foram transferidos para o Hospital de Manacapuru. Um homem, com ferimento grave no crânio, foi trazido para o Hospital João Lúcio, em Manaus. As informações foram confirmadas pela Susam.

A vítima fatal foi identificada como Carlos Paulo Lima Pereira. Já Osmar Macena de Matos, Ozenir Marques Loureiro, Wendeli Martins Pereira e Raimundo Damião da Silva foram atendidos e liberados

Encaminhados para Hospital de Manacapuru são: Davi Matheus M. Encarnação, Renan Reis Martins, Maria Dulcinete Dias de Lima e Jeová Moraes de Lima. Jeilson Firmino de Castro foi trazido para Manaus e está internado no HPS João Lúcio.