Oficina de Parentalidade alerta para riscos de traumas emocionais em filhos de pais separados

Projeto visa orientar famílias em situação de separação para a conciliação em processos judiciais e evitar maiores desgastes para os filhos

Os traumas emocionais causados em crianças que são filhos de pais separados de forma conflituosa pode levar a problemas como depressão e ansiedade. Este é um dos alertas feitos pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) na Oficina de Parentalidade, realizada mensalmente na unidade da Rua 24 de Maio, 321, Centro. Nesta sexta-feira, o projeto chegou a sua 11ª edição, reunindo homens e mulheres atendidos pela Defensoria de Família com processos de divórcio, guarda de crianças e adolescentes e pensão alimentícia, entre outros.

Ministrada pelo defensor público Helom Nunes, a oficina desta sexta-feira contou com uma grande interação dos participantes, que demonstraram interesse nos sentimentos e traumas gerados por uma separação conflituosa e nas formas de trabalhar por uma boa convivência com ex-companheiros (as) e filhos.

O defensor alertou que no processo de separação as crianças podem desenvolver sentimentos, como abandono, raiva, decepção e medo, que podem levar a problemas mais sérios, como depressão e ansiedade, e que, por isso, é importante todo o cuidado dos pais com a boa convivência entre os membros da família.

Durante a oficina, o defensor também debateu com os participantes temas como a alienação parental, quando a criança é negativamente influenciada em relação ao pai ou a mãe, guarda compartilhada e o direito à convivência.

O casal Maria (nome fictício) e José (no fictício) estava entre os participantes desta oficina e pode esclarecer dúvidas sobre a questão da guarda. Maria é dona de casa e separou-se do pai de sua filha de 10 anos de idade há cerca de um ano e meio. A menina vive com ela, que agora tem novo companheiro, mas o pai da criança recentemente entrou com um pedido de guarda, alegando que a mãe não tem condições financeiras de manter a criação da filha.

Maria e José querem seguir a vida juntos, mas dizem que antes precisam aparar arestas com o ex-marido dela, com quem não estão tendo uma relação harmoniosa. Eles acreditam que o pai da menina a tem influenciado de forma negativa e esperam que a oficina ajude a esclarecer como melhorar a convivência com todos. “Essa oficina é uma forma de esclarecer muitas coisas e ter conhecimento sobre os nossos direitos e deveres também”, afirmou José.

A próxima Oficina de Parentalidade está marcada para o dia 20 de setembro. Além do defensor Helom Nunes, as oficinas são ministradas também pela defensora Karoline Santos. Ambos passaram por uma capacitação promovida pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para estarem aptos a ministrar as oficinas. O projeto é realizado sob a coordenação da defensora Heloísa Canto, que coordena a área de família da DPE-AM.