PC desarticula organização criminosa que extorquia empresários e vendia vagas de emprego em refinaria de Manaus

A Polícia Civil do Amazonas, por meio da equipe do 7º Distrito Integrado de Polícia (DIP), sob o comando do delegado Fernando Bezerra, titular da unidade policial, cumpriu na manhã desta sexta-feira (24/8), em frente a uma refinaria situada na rua Rio Quixito, na primeira etapa do Distrito Industrial, zona sul da cidade, mandados de prisão temporária por extorsão, associação criminosa, ameaça e crimes contra a organização do trabalho em nome de cinco indivíduos, investigados por fazerem parte de um esquema ilícito com atuação em outros estados do país.

O amazonense Edvar de Oliveira Albuquerque, 37, o “Coringa”;os maranhenses Denis de Jesus Gomes Viana, 41, e Rafael dos Anjos Souza, 29; o paulista Daniel Freires da Silva, 29, também conhecido como“Mauá” ou “Corinthians”; e o pernambucano José Augusto dos Santos Filho, 35, chamado de “Rasta”, foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada às 11h15 desta sexta-feira (24/8), no prédio da Delegacia Geral, zona centro-oeste da cidade.

Suspeitos foram presos em flagrante

“É um grupo que possui tentáculos nacionalmente, que aproveita o momento em que as refinarias no Brasil encontram-se em parada técnica, que é uma fase muito sensível da produção industrial, em razão da possibilidade de desabastecimento, para agir. Há hoje um indicativo nacional de paralisação e eles estavam dentro deste grupo. Nós cumprimos os mandados no momento em que eles se preparavam para entregar alimentos, numa suposta ação de filantropia que eles fingem exercer”, explicou Bezerra.

Dinâmica do crime

A autoridade policial relatou que os cinco infratores pertencem ao Movimento dos Trabalhadores Desempregados do Amazonas (MTD-AM) e tinham o intuito de criar a Associação dos Trabalhadores de Montagem Industrial, que daria suporte àqueles que buscam vagas no mercado de petróleo.

“Eles se utilizam de um discurso caridoso, com promessa de vagas de emprego àqueles que não possuem uma ocupação e essas pessoas passam a acreditar que isso é um movimento digno, quando na verdade, trata-se de uma forma de extorsão de empresas, pois no fim desse processo de seleção, eles acabam indicando os próprios líderes ou familiares para essas vagas, para que essas lideranças depois recebam verbas ou recursos financeiros derivados desse tipo de crime”, afirmou Bezerra.

De acordo com o delegado, ao menos três empresas foram alvos do grupo, que ameaçava impedir o acesso à jornada de trabalho dos funcionários e, consequentemente, causar prejuízos, como pagamento de multa,previsto em cláusula contratual, da empresa contratada para prestar serviço à refinaria. “Caso os empresários não acatassem os pedidos de vagas, sofriam a pressão de paralisação e o pagamento de multas por dia de trabalho que não seria prestado na refinaria. Então, os empresários acabavam cedendo aos pedidos de contratação dos indicados”, disse.

Os valores cobrados para que o grupo não desse sequência às paralisações e ameaças variavam de acordo com o porte da empresa.

“São distintos valores porque tudo isso depende do importe financeiro das empresas. Empresas grandes eles utilizam de exigências de valores maiores, por exemplo, R$ 150 mil, enquanto que empresas menores eles diversificam os valores, a começar por R$ 20 mil. A negociação é feita de acordo com a capacidade econômica de cada empresa”, declarou o titular do 7º DIP.

Denúncia

As investigações, segundo Bezerra, começaram a partir de uma denúncia de ameaça contra trabalhadores, oriunda de outro estado, quando prestadores de serviços foramhostilizados pelo grupodurante a realização de um movimento paredista, ocorrido em 28 de junho deste ano, na sede da refinaria, em Manaus, e posteriormente nas respectivas casas onde moram.

“Eles impediram a entrada dos trabalhadores das empresas terceirizadas da empresa de Energia, sempre utilizando de violência física e verbal,sob a alegação que a refinaria estava descumprindo o percentual relativo à contratação de mão de obra local, estabelecido previamente em acordo com a categoria”, explicou o delegado.

No último dia 4 de agosto, Rafael, Daniel e José Augusto foram presos em flagrante, na rua 14 de Abril, Comunidade Nova Vitória, bairro Gilberto Mestrinho, zona leste da capital, em porte de uma arma de fogo de uso permitido. “Assim que conseguiam identificar a localização da residência dos funcionários e empresários, eles saíam em busca dessas pessoas como uma forma de intimidá-los, tanto nas casas, quanto nas empresas”, disse Bezerra.

Para concluir, o delegado informou que irá representar à Justiça o pedido de conversão dos manados de prisão temporária, em nome dos infratores, para prisão preventiva. Enquanto isso, Daniel, Denis, Edvar, José Augusto e Rafael irão permanecer custodiados no prédio do 1º DIP, colaborando com o andamento das investigações em torno do esquema ilícito.
Além dos cincos presos nesta manhã, o delegado Fernando Bezerra informou, ainda, que outras pessoas devam ser indiciadas neste processo.

“Precisamos evoluir nas investigações, no sentido de saber se existem entidades bancando essa organização criminosa. Sabemos da existência de outras pessoas a serem indiciadas e essas prisões foram importantes, justamente para viabilizar a amplitude das investigações. É importante dizer que a pretensão do benefício, apesar do discurso extremamente altruísta de garantir vaga para os desempregados, era extremamente egoístico, porque eles queriam na realidade aferir renda para si próprio”, finalizou.

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