Pesquisa aponta necessidade de monitoramento da qualidade do ar em Manaus

A Fapeam foi protagonista na assinatura de termo de cooperação, que viabilizou o intercâmbio de pesquisadores

Implantar um sistema para monitoramento da qualidade do ar na área urbana de Manaus. Esta é uma das conclusões a que chegou o doutor em Clima e Ambiente, Adan Medeiros, em sua tese “Efeitos da mudança de combustíveis das usinas termelétricas de Manaus na qualidade do ar”, uma das primeiras voltadas ao estudo desse fator em um ambiente de floresta tropical, no caso específico, a Amazônia.

A pesquisa foi produzida no âmbito do projeto GoAmazon, resultado de parceria entre universidades e institutos de pesquisa brasileiros, norte-americanos e europeus, cujo objetivo é analisar a influência dos processos de urbanização em Manaus sobre o ecossistema e o clima na Amazônia. O estudo também contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Escola de Engenharia de Ciências e Engenharia de Harvard (Seas-Harvard), as quais foram protagonistas na assinatura do termo de cooperação, que viabilizou o intercâmbio de pesquisadores participantes do projeto.

Medeiros explica que, em razão da chegada do gás natural, oriundo da região de Urucu a Manaus, está havendo mudança gradual da matriz energética nas termoelétricas da capital e foi justamente esse o motivo que o levou a explorar a área de estudo. Baseada em simulações de cenários de dispersão de gases a partir do uso do modelo conhecido como WRF-Chem, a pesquisa tomou como referência dados sobre fontes fixas e móveis de emissão de compostos químicos poluentes detectados em Manaus.

Esse inventário de emissões foi capaz de representar a composição química da atmosfera na região. “Tínhamos o Cenário A, em que foi considerado o padrão histórico de queima de combustíveis fósseis por parte das termoelétricas de Manaus, com 100% da energia gerada a partir da queima de diesel e óleo combustível; O Cenário B, em que foi considerado o padrão de 2014, já com a mudança parcial para gás natural, em que cerca de 65% da energia gerada em Manaus ocorreu a partir da queima deste combustível; e por fim, a simulação do cenário com geração de energia em 100% a partir da queima de gás natural”, explicou o pesquisador, que possui graduação e mestrado na área da Física.

As simulações indicaram que, em um cenário de mudança total da fonte de geração de energia para gás natural, as concentrações de ozônio urbano devem reduzir drasticamente e, em contrapartida, haverá um salto significativo na melhoria da qualidade do ar. Uma das consequências positivas será a diminuição da exposição da população a altas concentrações desse poluente.

A pesquisa esclarece que o cenário atual tem capacidade de gerar altas concentrações de ozônio, mesmo no período chuvoso, considerado de melhor qualidade do ar na região. Isso ocorre porque mesmo em menores quantidades, a queima de diesel e óleo combustível possui alta capacidade de geração de ozônio, uma vez que emitem grandes quantidades de NOx (principal precursor de ozônio troposférico), o qual em grande quantidade interfere significativamente na saúde da população.

Outro agravante, nesse cenário, é a expansão demográfica na cidade. Segundo o pesquisador, o crescimento do número de habitantes aliado ao aumento da demanda por energia e da frota de veículos tem um impacto grande na alteração da qualidade do ar.

Para ele, seria adequado a implementação de um sistema de monitoramento da qualidade do ar na área urbana da cidade, o qual permitiria nortear a adoção de medidas mitigadoras dessas concentrações urbanas de poluentes atmosféricos. “A não mitigação das emissões antropogênicas de poluentes atmosféricos irá alterar cada vez mais a composição da atmosfera na região, o que pode causar sérias consequências na saúde humana, bem como alterar a dinâmica atmosférica regional”, alerta.

Planejamento – Ele também defende um planejamento no sentido da ampliação da rede de geração de energia a partir deste combustível fóssil mais limpo. Conforme dados levantados, cerca de 65 % da energia que abastece a capital amazonense é gerada a partir da queima de gás natural, enquanto os 35 % restantes foram obtidos a partir da queima de diesel e/ou óleo combustível – levando em consideração apenas a energia obtida a partir da queima de combustíveis fósseis.

Conforme estabelecido pela empresa geradora de energia, as termoelétricas analisadas, durante a execução do estudo, possuem as seguintes denominações: Aparecida, Mauá, Flores, Cidade Nova, São José, Iranduba, Breitener Tambaqui, Breitener Jaraqui, Ponta Negra, Manauara e Cristiano Rocha.