Pesquisa identifica que 28% das mulheres que fazem preventivo em UBSs de Manaus não retornam para pegar o resultado

Uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Apoio à Iniciação Científica, da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), identificou que das 5.247 mulheres que fizeram exames preventivos em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Manaus, 28% não retornaram para pegar o resultado, o que equivale a 1.477 exames.

O preventivo (Papanicolau) é um exame utilizado no rastreio de lesões inflamatórias e infecciosas precursoras de câncer de colo de útero e deve ser feito preferencialmente por mulheres entre 25 e 64 anos, que têm ou tiveram atividade sexual. As lesões precursoras são aquelas que antecedem o aparecimento do câncer de colo de útero.

A pesquisa, denominada ‘Mulheres que não compareceram às Unidades Básicas de Saúde de Manaus (UBSs), AM, para receber o resultado do exame citopatológico’, contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), e foi realizada nas UBSs dos bairros Parque Dez e Chapada, no período de 2016 e 2017.

Segundo a enfermeira oncologista e coordenadora do Departamento de Ensino e Pesquisa (Dep/FCecon), Júlia Marcelino Benevides, o resultado serve de alerta para lembrar às mulheres sobre a importância do preventivo, que é um método de rastreio eficiente de Papilomavirus Humano (HPV), responsável por lesões precursoras do câncer de colo de útero.

Júlia Benevides explicou que o levantamento foi feito com base no exame físico, que as UBSs disponibilizam às mulheres. Além disso, o estudo também se propôs a entrevistá-las para identificar porque não foram buscar os resultados do exame. “Durante as entrevistas, identificamos que as mulheres não retornaram às UBSs porque mudaram de endereço, ou até mesmo porque esqueceram de buscar o resultado do exame. O protocolo estabelece que o prazo para entrega dos resultados, pelas unidades, é de até 90 dias. A pesquisa aponta que existe um déficit educacional sobre a importância do cuidado com a saúde”, pontuou Júlia Benevides.

Mulheres alfabetizadas

De acordo com a enfermeira Júlia Benevides, a literatura tem demonstrado que, no restante do País, a falta de atenção com a saúde está associada ao déficit educacional. Contudo, ela disse que em Manaus o resultado da pesquisa mostrou que as mulheres têm ensino Fundamental ou o Médio completos.

“Elas são alfabetizadas, entretanto, relevam o resultado do exame. Identificamos o caso de uma mulher com lesão, que precisava de acompanhamento. O serviço de saúde entrou em contato, também ligamos e pedimos para ela retornar à UBS. Não obtivemos sucesso. Passaram-se oito meses e o exame permanece na unidade de saúde”, exemplificou.

Papilomavirus humano (HPV)

A diretora do Dep/FCecon, Kátia Torres, pontuou que o preventivo é importante porque, apesar da grande maioria das mulheres (80%) eliminar o HPV e não desenvolver lesões, há uma parcela (10% a 20%) que não consegue expulsá-lo espontaneamente do organismo. Nesse caso, se não identificado precocemente, é possível evoluir para um câncer de colo de útero.

“Porém, se a mulher faz o acompanhamento ginecológico, a cada três anos, há a probabilidade de detectar as lesões precursoras e aumentar as chances de cura, uma vez que o câncer de colo de útero leva de dez a 15 anos para se desenvolver. É um exame que salva vidas”, destacou.

Prevenção

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a prevenção é feita com vacinação contra o HPV, antes do início da vida sexual e fazendo o exame preventivo (Papanicolau). Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas é possível prevenir a doença em 100% dos casos. A vacina contra o HPS faz parte do calendário de imunização do Ministério da Saúde e está disponível nas unidades, para meninos e meninas de 9 a 14 anos.

Câncer de colo do útero

Conforme o Inca, órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS), o câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. O Inca estima 16.370 novos casos no país para 2018 e, no Amazonas, estão previstos 840 casos.