Planos de saúde coletivos correspondem por até 15% dos custos das empresas com trabalhador

Quase 50 milhões de pessoas contam com plano de saúde no Brasil. Cerca de 80% deste total são atendidos por planos coletivos, aqueles contratados e oferecidos por empresas aos trabalhadores.

A contratação de planos coletivos empresariais, junto às operadoras de saúde suplementar do país, saltou de pouco menos de 20% em 2000, para 67% em 2017, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, e levantados pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI.

Ainda de acordo com o estudo, os custos pagos pelas empresas aos planos de saúde coletivos podem corresponder até 15% do valor gasto com a folha de pagamento dos seus funcionários, tornando o benefício oneroso e foco de preocupação para as finanças das indústrias.

O gerente Executivo de Saúde e Segurança da Indústria, do Serviço Social da Indústria (SESI), Emmanuel Lacerda, explica que o plano de saúde oferecido pelas empresas é um benefício e não poderia ser um fator negativo nas contas do setor produtivo.

Para ele, quando os gastos com planos de saúde ficam altos é hora da empresa investir em pesquisas internas e na gestão de saúde de seus funcionários.

“Os planos de saúde entraram como políticas de recursos
humanos nas empresas, de atração de talentos. E, de fato, todas as pesquisas de RH apontam que esse é o benefício mais valorizado pelos trabalhadores. Quando esses custos passam a ser relevantes, do ponto de vista de peso, nas folhas de pagamentos, começa a se notar que tem alguma coisa errada.”

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Sendo assim, para evitar que os custos com os planos de saúde coletivos se transformem em transtornos, as empresas devem implantar uma gestão voltada para a promoção e proteção de saúde dos funcionários.

Mas para isso, segundo Emmanuel Lacerda, as empresas precisam de informações de como são usados os planos de saúde, quais doenças são mais tratadas, por exemplo, para que o trabalho preventivo seja eficaz.

“Essa atenção primária não só coordena a utilização, mas também faz prevenção, ela se preocupa com o desfecho em saúde, ou seja, com melhorias da questão de saúde do trabalhador. O setor, ele é complexo, no sentido que existem outros atores na cadeia de saúde envolvidos, não só a seguradora ou as empresas contratantes. É necessário que se tenha uma padronização de dados e informações no sistema de saúde suplementar que permita essa gestão.”

Vale lembrar, a ANS não regula os preços cobrados em planos coletivos. Nesses casos, o tipo de assistência que deve ser oferecida e os valores a serem pagos devem ser acordados entre as empresas, empregados e operadores dos planos.

Em 2016, os valores gastos com os custos médico hospitalares no Brasil tiveram aumento de mais de 20%, enquanto a inflação do ano fechou em pouco mais de seis por cento. Entre 2008 e 2016, o aumento dos custos médico hospitalares no país foi de quase 238%. Os dados são do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.

Reportagem, Cristiano Carlos