Polícia pede indiciamento de socialite suspeita e crime em inquérito, no AM

Adneison Severiano – Do G1 AM

A Polícia Civil concluiu, nesta sexta-feira (16), o inquérito que pede o indiciamento da socialite Marcelaine Santos Schumann, de 36 anos, por tentativa de homicídio. A mulher é suspeita de encomendar a morte de Denise Almeida Silva, de 34 anos, baleada em 2014 em uma academia no Centro de Manaus, por ciúmes de um homem que seria amante das duas. Em depoimento à polícia na quinta-feira (15), Marcelaine negou o crime. Além dela, cinco quatro pessoas estão presas sob suspeita de envolvimento no caso.

Segundo a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequetros (DEHS), o inquérito traz provas, além de depoimentos de seis pessoas envolvidas no crime, da vítima e de testemunhas. O delegado titular da DEHS, Paulo Martins, explicou que o inquérito segue a mesma linha apontada na investigação, ou seja, a socialite contratou o grupo para matar ou aleijar Denise por ciúmes do amante.

No inquérito, a Polícia Civil pede o indiciamento de Marcelaine e de outras cinco pessoas por tentativa de homicídio.

Questionado se as provas reunidas no inquérito são suficientes para assegurar o indiciamento dos envolvidos, Paulo Martins disse que somente o Poder Judiciário poderá avaliar. “Caso julguem necessário novas diligências, os autos serão baixados para cumprirmos as solicitações”, disse o delegado.

As investigações da Polícia Civil foram concluídas com o depoimento de Marcelaine, que ocorreu na manhã de quinta-feira (15) na Delegacia de Homicídios, na Zona Leste de Manaus. Um dia antes, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) autorizou a saída da socialite do Centro de Detenção Provisório Feminino (CDPF) para depor, após parecer favorável do Ministério Público do Estado (MPE-AM).

Na delegacia, a mulher negou ter mandado matar Denise, e manteve uma versão já apresentada pela defesa à imprensa local no início desta semana. No depoimento, que durou mais de três horas, Marcelaine afirmou que contratou o grupo suspeito de envolvimento na tentativa de assassinato apenas para cobrar uma dívida de R$ 40 mil do empresário apontado como amante dela. Segundo a polícia, a socialite confirmou ter fornecido o empréstimo, mas negou manter caso amoroso com o homem.

“Ela esclareceu várias dúvidas da polícia. Foi um depoimento considerado bom. Ela se calou em algumas perguntas, mas respondeu a maioria. Não surgiu nenhum novo envolvido e a presença do Ministério Publico encorajou ela a falar”, afirmou o delegado Paulo Martins.

Depois de ser protocolado no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) o caso será distribuído por sorteio para um juiz, que abrirá vista ao Ministério Público para se pronunciar. O promotor de Justiça Rogério Marques, que acompanha o caso, divulgou que pretende oferecer denúncia na próxima semana.

Investigações

Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios, Marcelaine contratou um grupo de pessoas para matar ou aleijar Denise. Segundo a polícia, o crime teve motivação passional. Para a Polícia Civil, a socialite desconfiava que a vítima mantinha um relacionamento com um empresário, que era amante dela. Ambas são casadas. O empresário também é casado. Em depoimento à polícia, o suposto pivô do crime confirmou que tinha um caso com Marcelaine e uma “amizade estreita” com a vítima.

No início desta semana, a defesa da socialite divulgou para a imprensa local uma nova versão para o crime. De acordo com o advogado, Marcelaine não encomendou a morte da suposta rival. Ela contratou o grupo suspeito de envolvimento na tentativa de assassinato apenas para cobrar uma dívida de R$ 40 de um empresário.

No dia seguinte às declarações da defesa, o delegado Paulo Martins contestou a nova versão em coletiva de imprensa. Na ocasião, ao ser questionado pelo G1 sobre a prisão de uma sexta pessoa envolvida no caso, o delegado informou que o vigilante, que seria amigo de faculdade da socialite e teria contatado um outro envolvido no caso, foi indiciado. Segundo a polícia, o vigilante teria recusado uma proposta de R$ 6.500 por medo de cometer o crime.