Projeto da Fapeam inclui robótica na rotina de alunos em escola pública de Manaus

Ação é desenvolvida na Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho por meio do Programa Ciência na Escola

A inclusão tecnológica por meio da robótica ainda na educação básica é uma realidade vivenciada por alunos da Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho, no bairro Tancredo Neves, zona leste de Manaus. Na escola, os estudantes aprendem sobre o universo da robótica por meio de atividades práticas de montagem e programação de robôs.

O projeto realizado com alunos do ensino fundamental é desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE).

O projeto que vai além das portas da sala de aula já possibilitou aos estudantes participarem de competições em nível nacional e internacional. Em 2017, os alunos foram campeões na etapa estadual do Torneio da First Lego League, alcançando vaga para disputar a fase nacional em Brasília. No mesmo ano também conquistaram vaga para participar da etapa internacional European Championship, realizada na Dinamarca, onde de 118 equipes participantes do mundo inteiro ficaram na 34ª posição. Além dessas conquistas, no mesmo período foram os vencedores em nível estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

Competições – Com resultados positivos, os alunos agora se preparam para etapa estadual da OBR, que será realizada no mês de setembro. A competição tem seis equipes inscritas. Outro foco também é o Torneio da Firts Lego League deste ano, uma competição coordenada no Brasil pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).

Segundo a coordenadora do projeto, Grasielle Souza, a Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho é a única da Região Norte a participar de um torneio internacional de robótica.

“É um projeto que tem resultados fantásticos, não apenas em relação à educação na nossa escola, mas com um alcance social grande. Trabalhamos a robótica com as tecnologias: Arduíno, Ev3, Lego entre outros. O projeto é dividido na parte teórica e com as atividades práticas voltadas para as competições de robóticas”, explica a professora.

O projeto começou na escola em 2015 e foi contemplado nas edições 2016 e 2018 do PCE. Conforme Grasielle, a maioria dos alunos que participaram do projeto anterior hoje cursa Mecatrônica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas do Amazonas (Ifam).

“Atualmente, o projeto conta com três bolsistas de Iniciação Científica Júnior (IC/JR) que atuam como multiplicadores do conhecimento adquirido no projeto para outros alunos da escola. O projeto também conta com a participação de alunos voluntários”, disse.

Um dos requisitos para entrar no projeto é ter média acima de 8. A medida fez com que os alunos buscassem melhorar o desempenho em sala de aula e, consequentemente, aumentasse os índices da média escolar.

Inovação – O bolsista de IC/JR Ismael Castro, do 6° ano do Ensino Fundamental II, disse que o projeto tem sido incrível e ao mesmo tempo inovador na escola.

“É uma experiência que envolve aprendizado e ao mesmo tempo é divertida. No momento, estamos nos preparado para as competições, pensando, construindo e estamos indo bem”, contou o estudante.

Para Lucas Melo, do 8° ano do ensino fundamental II, a experiência tem sido positiva e se diz mais curioso pela área da robótica e tecnologias. Já a aluna Ester Lima, também do 8° ano do ensino fundamental II, conta que essa é a primeira vez que participa de um projeto de IC/JR. Para ela o projeto tem possibilitado aprender mais sobre o mundo da robótica.

Parceria – A atividade também conta com a parceria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por meio dos alunos do curso de Física. No projeto também são utilizados materiais reciclados na confecção dos robôs.

Formada em Letras, mas apaixonada por tecnologia, Grasielle disse que decidiu incluir a robótica na escola por perceber a falta de incentivo e estímulo nessa área para estudantes da rede pública de ensino.

“Nós moramos numa cidade que é referência em tecnologia e produção industrial. Nada mais que justo deixá-los preparados para esse mercado e incentivá-los a seguirem carreira profissional nessas áreas também. A gente sabe que há uma grande defasagem nacional de engenheiros e profissionais nas áreas de tecnologias. A ideia é despertar isso desde cedo e voltar o olhar dos alunos para essas áreas”, contou.

PCE – O PCE apoia a participação de professores e estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental, da 1ª à 3ª série do ensino médio e suas modalidades: Educação de Jovens e Adultos, Educação Escolar Indígena, Atendimento Educacional Específico e Projeto Avançar, em projetos de pesquisa a serem desenvolvidos em escolas públicas estaduais sediadas no Amazonas e municipal.

Lançado no mês de março, o programa conta com investimento de quase R$ 2,5 milhões para incentivar a aproximação da ciência no ambiente escolar, visando à participação de professores e estudantes, por meio de projetos de Iniciação Científica Junior (ICT/JR).

FOTO: DIVULGAÇÃO/FAPEAM