Projeto promoverá inclusão social e laboral de venezuelanos em Manaus

Em busca de uma vida melhor, milhares de venezuelanos têm cruzado as fronteiras com os países vizinhos - Boris Heger -Nações Unidas

Parceria entre Centec e Acnur qualificará solicitantes de refúgio e residentes temporários para entrar no mercado de trabalho; lançamento será dia 21 de agosto, às 14h, na Assembleia Legislativa do Estado

Solicitantes de refúgio e residentes temporários da Venezuela que vivem em Manaus e estão buscando emprego poderão se preparar melhor para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Por meio de aulas de português e cursos profissionalizantes, o projeto ‘Oportunizar’ promoverá a inserção socioeconômica desta população, que está reconstruindo sua vida na capital amazonense.

Resultado de parceria entre o Centec (Centro de Ensino Técnico) e o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), o projeto será lançado na próxima terça-feira (21), às 14hs, no áuditório Senador João Bosco Ramos de Lima, da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), na Av. Mário Ypiranga Monteiro, 3.950 – Parque Dez.

Na ocasião, será lançada também uma campanha de sensibilização da classe empresarial sobre a contratação desta população. Além disso, o Centec apresentará o selo ‘Oportunizar’, que reconhecerá as boas práticas e compromisso de empresas locais com a inclusão de solicitantes de refúgio.

O projeto ‘Oportunizar’ é um trabalho socioeducativo para melhorar a fluência dos participantes na língua portuguesa por meio de cursos profissionalizantes, criando assim competências para quem busca uma oportunidade de trabalho nos setores da indústria, comércio e serviço, ou mesmo como empreendedores.

Com um variado perfil profissional e bom nível educacional, a população venezuelana (assim como outros refugiados e solicitantes de refúgio) enfrenta diferentes desafios no seu processo de integração, entre eles a barreira do idioma e a comprovação de suas habilidades. Esta situação dificulta a inserção no mercado de trabalho, comprometendo a autossuficiência destas pessoas.

Qualificação

O projeto oferecerá quatro cursos de qualificação profissional aos venezuelanos solicitantes de refúgio: ‘Auxiliar de Cozinha e Confeitaria’, ‘Auxiliar Administrativo’, ‘Manicure, Pedicure e Designer de Sobrancelha’; e ‘Instalador de Refrigeração e Climatização Doméstica’.

Todos os cursos terão uma carga horária ampliada no componente Língua Portuguesa Instrumental, visando aprimorar o domínio do idioma e facilitar a inserção dos venezuelanos no mercado de trabalho. O projeto ‘Oportunizar’ oferecerá 120 vagas, sendo 30 para cada um dos cursos.

Além disso, vai articular encontros com segmentos empresariais da indústria, comércio e serviço no Amazonas para sensibilizar sobre o tema da empregabilidade dos solicitantes de refúgio e garantir a efetividade da capacitação ofertada pelo projeto. Também será criado um banco de dados com informações profissionais de solicitantes de refúgio e refugiados que será compartilhado com empregadores interessados nesta mão de obra.

Os cursos se iniciam em duas semanas, e as inscrições já estão sendo feitas na Cáritas Arquidiocesana de Manaus, na Av. Joaquim Nabuco, 1023 – Centro, das 8h às 11h. Algumas vagas serão reservadas para refugiados e solicitantes de refúgio de outras nacionalidades.

De acordo com a diretora do Centec, Eliana Pinheiro, a geração de emprego e renda é condição indispensável para integrar solicitantes de refúgio, refugiados e migrantes na sociedade local. Eliana ressalta que quanto maior o número de empresários sensibilizados com a causa, melhores serão as condições de vida dos venezuelanos que se encontram em Manaus.

“O Centec tem como missão formar pessoas para que tenham uma oportunidade melhor em relação à própria vida. Trabalhar com os solicitantes de refúgio da Venezuela é dar continuidade a essa missão. Faremos a capacitação que essas pessoas precisam para ter a possibilidade de uma vida mais estruturada. E queremos estar com elas até sua inclusão no mercado de trabalho”, explica a professora.

Para a representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, os venezuelanos e venezuelanas “trazem conhecimentos e experiências profissionais que certamente contribuirão para as cidades que os acolhem, pois têm imensa vontade de trabalhar e produzir”.

Segundo ela, “desenvolver esse potencial possibilita não somente a integração socioeconômica e o alcance de autonomia em termos de sustento próprio, mas também contribui com conhecimentos e aportes sociais e culturais”.

A presença da população venezuelana no Manaus tem aumentado nos últimos anos, como reflexo do fluxo de venezuelanos que deixam seu país devido aos desafios políticos, socioeconômicos e de direitos humanos. Segundo dados da Polícia Federal, já são mais de sete mil solicitações de refúgio feitas no Amazonas por venezuelanos, nos últimos dois anos. Deste total, mais de cinco mil foram feitas em 2018.

Em Manaus, abrigos administrados por organizações da sociedade civil têm acolhido famílias venezuelanas no âmbito da estratégia de interiorização conduzida pelo governo federal. Os abrigos são apoiados pelo ACNUR e por parceiros locais. Cerca de 165 venezuelanos chegaram à capital amazonense por meio desta estratégia.