Roraima pede ao STF fim da imigração venezuelana

O estado de Roraima pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da entrada de imigrantes venezuelanos. O estado pede que os imigrantes da região sejam distribuídos para outras unidades da federação. Os casos de violência entre brasileiros e venezuelanos no fim de semana motivaram a decisão.

No pedido protocolado no STF, o estado de Roraima pede uma série de medidas, como a adoção de barreira sanitária, suspensão temporária da imigração e a instalação de um hospital militar para atender os venezuelanos exclusivamente.

Já o Governo Federal decidiu enviar de 120 agentes da Força Nacional para reforçar a segurança em Pacaraima, cidade onde brasileiros e venezuelanos entraram em conflito no fim de semana. Episódios como esse dão uma dimensão da gravidade do problema.

Marcelo Haydu é um dos fundadores do Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus). Ele destaca que o Brasil, historicamente, nunca foi um destino conhecido entre refugiados e relembra que a falta de planejamento para lidar com essa questão havia sido evidenciada em 2010, com o fluxo de haitianos para o país.

Episódio de violência reacende debate sobre imigração no pais

Para Haydu, faltam políticas específicas para os imigrantes, como o acesso a moradias e educação.

“A sociedade deve ter consciência de que essas pessoas não estão vindo para cá porque querem. O refúgio é uma migração forçada. Essas pessoas são obrigadas a saírem dos seus países de origem por uma questão de perseguição ou de violação dos direitos humanos. O Brasil tem condições sim, além da obrigação moral e legal para receber algumas dessas pessoas e de tentar possibilitar a condição mínima para essas pessoas retomarem sua vida de maneira digna.”

No último sábado, moradores de Pacaraima queimaram acampamentos e pertences dos imigrantes, o que forçou a volta de mais de mil venezuelanos para o país vizinho. A atitude seria uma resposta a um roubo violento a um comércio da região, que supostamente teria o envolvimento de imigrantes. Eles entram no Brasil desde o começo do ano passado, fugidos da delicada situação do país, que se encontra em uma crise financeira grave com conflitos entre opositores e defensores do governo de Nicolas Maduro.

Reportagem, Raphael Costa