Saiba quais são os novos tratamentos para câncer de ovário e pulmão chegam ao mercado

Duas novas drogas foram aprovadas recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e lançadas no mercado, na última semana, em um evento no Rio de Janeiro e que contou com a presença de renomados nomes da oncologia nacional e internacional. A oncologista clínica Gilmara Resende explica que os medicamentos Olaparibe (Lynparza) e Osimertinibe (Tagrisso) serão utilizados para o combate ao câncer de ovário e de pulmão respectivamente e agem diretamente na célula tumoral, principalmente em estágios mais avançados da doença.

“Por conta disso, o tratamento com elas pode provocar reações de menor intensidade quando comparadas ao tradicional com quimioterapia”, explica a médica da clínica Oncológica, que destaca que a disponibilização destes medicamentos no mercado brasileiro representa um aumento significativo das chances de controle da doença.

O Olaparibe é da classe dos inibidores da PARP, destinada ao tratamento do câncer de ovário para as pacientes que tem mutação (um defeito) em um dos dois genes conhecidos como BRCA1 e BRCA2, o mesmo da atriz Angelina Jolie, e que tem doença recorrente (quando o câncer voltou após tratamentos anteriores).

A médica destaca que o medicamento é um exemplo de como a maior compreensão dos mecanismos da doença pode levar a um tratamento alvo mais personalizado. “Ele vem em forma de cápsula e deve ser usado no tratamento de manutenção do câncer de ovário após a quimioterapia tradicional”, disse Gilmara.

Já Osimertinibe destina-se ao tratamento de câncer de pulmão em estágio avançado e após falha com inibidores de Tirosino Quinase (TKI) cujos pacientes são portadores da mutação de resistência T790M. Também vem em forma de comprimidos.

Gilmara afirma que o tratamento do câncer de pulmão passou por uma verdadeira revolução na última década, marcada pelo advento da terapia alvo e da imunoterapia. “Atualmente, novas moléculas ainda estão em andamento em estudos clínicos, com Imunoterapia e novos inibidores da Tirosino Quinase, mas não disponíveis no mercado”, revela a oncologista.

Dados das doenças

De acordo com os informes dos últimos anos, apenas 15 a 20% das mulheres diagnosticadas com câncer de ovário avançado conseguem sobreviver até 5 anos após a identificação do problema. Isso se deve ao fato de que muitos casos são detectados em uma etapa muito avançada. O diagnóstico precoce dessa doença aumenta a expectativa de vida em até 95%. No Amazonas, são 4 casos a cada 100 mil mulheres, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2017.

E, também, segundo levantamento do Inca, são em média 10 casos de câncer no pulmão nos homens e 7 nas mulheres do Estado. Tosse, dificuldade para respirar, dor no peito, chiado, rouquidão, perda de peso, dor nos ossos e na cabeça são alguns dos sinais de alerta sobre a necessidade de procurar um médico para um investigação mais profunda.

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