Sem energia elétrica, comunidades isoladas exigem a continuidade do Luz para Todos no Amazonas

Ao todo, mais de 60 mil domicílios, cerca de 300 mil pessoas, ainda aguardam a chegada da energia elétrica e seriam beneficiadas com a prorrogação do programa pela presidenta Dilma Rousseff.

Resta menos de um mês para o encerramento oficial das atividades do programa Luz para Todos, marcado para o fim de 2014, porém, aproximadamente 60 mil domicílios ainda necessitam de energia elétrica no Amazonas “e esse número pode aumentar, considerando as populações mais distantes e os povos isolados”, foi o que revelou o coordenador estadual do programa, Robson de Bastos, durante audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (01), na Assembleia Legislativa do Amazonas.

Segundo ele, há uma preocupação do Governo Federal em dar continuidade ao programa em estados das regiões Norte e Nordeste e caso a prorrogação se concretize, provavelmente o Amazonas estaria contemplado. “Essa foi a resposta que tivemos no Ministério das Minas e Energia, porém, mesmo com a grande probabilidade de prorrogação, vamos acompanhar esse processo e receber as solicitações, pois elas confirmam a necessidade de continuidade do programa”, frisou.

Na ocasião, o presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás e Energia da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Sinésio Campos, propositor da audiência, sugeriu que todos os representantes de municípios e da sociedade civil organizada fizessem um abaixo-assinado solicitando a continuidade do programa. “A sociedade amazonense precisa estar unida para que o pleito ganhe força e chegue de maneira contundente no Ministério”, disse Sinésio, que também está elaborando uma moção de apoio à prorrogação do Luz para Todos.

Até novembro deste ano, foram realizadas mais de 100 mil ligações de energia elétrica, beneficiando cerca de 600 mil pessoas em todos os 62 municípios amazonenses, um trabalho que tem o compromisso de promover a universalização da eletrificação rural em, no máximo, até 2018, como estipulou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com a possível prorrogação, a concessionária Amazonas Energia estima que nos próximos anos deverão ser construídos mais 17 km de rede elétrica no meio da floresta, visando o atendimento de moradores de comunidades isoladas, incluindo localidades com grande concentração de indígenas.

Para o diretor-presidente da Eletrobrás Amazonas Energia, Radir Oliveira, o programa tem aperfeiçoado suas ações nesses 10 anos de atuação, sobretudo o que diz respeito às questões técnicas e logísticas. “Tínhamos muita dificuldade com as empresas licitadas na execução do trabalho, principalmente pela falta de conhecimento sobre a realidade amazônica, sobre as distâncias, o clima… O que nos fez, por exemplo, mudar os postes de madeira para concreto e fibra, para garantir a sua durabilidade devido à grande umidade”, frisou.