Taxa de desmatamento no cerrado diminui 43% nos últimos anos

Foto: EBC

O Ministério do Meio Ambiente divulgou, nesta quinta-feira (21), dados sobre a taxa de desmatamento do Cerrado nos últimos dois anos. O monitoramento, que é feito por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, detectou que, na comparação de 2016 com o ano anterior, a redução foi de 43%.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, mesmo que esta seja um redução significativa, o governo precisa ampliar as ações para combater o desmatamento.

“Esses números são expressivos, mas eles não representam um conformismo em relação ao que nós estamos fazendo. É um indicativo de que precisamos continuar com aquilo que nós já estamos fazendo e ampliando ainda mais as nossas ações, para que a gente continue ampliando a redução do desmatamento no cerrado.”

O recuo apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente, no entanto, não impediu a perda da cobertura vegetal no Cerrado, que já chega a 51%. Para se ter uma ideia, o Cerrado ocupa uma área de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (Km2) do território brasileiro. O professor Reuber Albuquerque Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da UnB, explica que o cerrado é o responsável por boa parte da biodiversidade da América do Sul.

“O cerrado é a maior savana neotropical do mundo e a savana mais rica em biodiversidade. A posição central do cerrado também faz com que ele tenha um intercâmbio de biodiversidade com todos os outros biomas grandes da América do Sul, exceto aqueles que estão do outro lado dos Andes, como é o caso da Amazônia, da Mata Atlântica, da Caatinga, do Pantanal. Então, o cerrado está mantendo a biodiversidade de grande parte da América do Sul, além de ser considerado ainda o berço das águas.”

De 2000 a 2015, o bioma perdeu 236 mil quilômetros quadrados, enquanto a perda na Amazônia, bioma duas vezes maior, foi de 208 mil quilômetros quadrados. Segundo o professor Reuber Albuquerque Brandão, somente no ano de 2015, o volume desmatado do Cerrado correspondeu a mais da metade da área devastada da floresta amazônica.

“Ainda é cedo para fazer algum tipo de comemoração em relação a redução do desmatamento no cerrado. Você tem aí uma série histórica de desmatamentos em uma taxa que é o dobro da taxa que a gente observa na Amazônia, no Cerrado. Essa diminuição do desmatamento ainda tem que ser vista com cautela, porque ainda é muito cedo para dizer que isto pode representar uma mudança na maneira como o cerrado vem sido ocupado.”

A área devastada no bioma em 2017 era de 7.408 quilômetros quadrados, um tamanho 38% menor do que a registrada em 2015, quando a extensão era de 11.881 quilômetros quadrados.

Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o cerrado é o bioma mais afetado nas Américas pelas queimadas. O governo brasileiro prometeu reforçar ações para coibir crimes ambientais, empregando, inclusive, forças policiais.

Reportagem, Cintia Moreira