Tragédia do Museu Nacional: arquitetos pedem um “basta” e propõem fundo de apoio para Patrimônio

“Os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional”

“A destruição o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, não pode passar em branco. Essa tragédia deve servir como um grito de basta contra o abandono, negligência e destruição da memória nacional”, afirma em nota oficial o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

“O basta! deve vir de toda sociedade. Dos estudantes ao Presidente da República”, conclama o CAU/BR, acrescentando que “os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional”.

O Conselho recomenda a elaboração urgente de um plano plurianual nacional, vinculado a um fundo próprio, que privilegie a eliminação de riscos de incêndios, desabamentos e alagamentos, garantindo o funcionamento e o usufruto público do Patrimônio.

No mesmo sentido, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) sugeriu a criação de um fundo permanente que garanta a manutenção dos museus nacionais e a preservação do nosso patrimônio cultural, a ser gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Ambas entidades divulgaram recentemente “Carta-Aberta aos Candidatos nas Eleições de 2018” tratando das questões urbanas do país, inclusive a preservação e valorização do Patrimônio nacional.

Eis a íntegra da nota do CAU/BR:

Nota do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

sobre a tragédia do Museu Nacional

“Basta!

A destruição o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, não pode passar em branco. Essa tragédia deve servir como um grito de basta contra o abandono, negligência e destruição da memória nacional. A realidade, lamentavelmente, é que a situação do Museu Nacional não é única. Outras tragédias iguais podem ocorrer.

Os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional. Conclamamos o Estado, os arquitetos e urbanistas, as universidades, os intelectuais, as entidades de classe, enfim, a sociedade brasileira a se mobilizar.

O basta! deve vir de toda sociedade. Dos estudantes ao Presidente da República.

De imediato é necessário levantar outros bens em perigo – inclusive cidades históricas – e prover meios para sua recuperação e manutenção. Nesse sentido é preciso agir em duas frentes: recursos financeiros e humanos.

Os recursos do Tesouro e financiamentos públicos e privados existentes para o setor cultural, frutos de leis de incentivo, são insuficientes, as prioridades raramente incluem o Patrimônio e não passam de ações pontuais. É preciso avançar, elaborando um plano plurianual nacional, vinculado a um fundo próprio, que privilegie a eliminação de riscos de incêndios, desabamentos e alagamentos, garantindo o funcionamento e o usufruto público do Patrimônio.

São necessários também profissionais capacitados. Há anos assistimos, por exemplo, o definhamento do quadro técnico de órgãos como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), questão apenas recentemente encaminhada.

Cumprindo o compromisso histórico dos arquitetos e urbanistas com a preservação do Patrimônio, em “Carta Aberta dos Arquitetos e Urbanistas aos Candidatos nas Eleições de 2018”, divulgada em julho, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) apresentaram propostas que, a médio prazo, garantiriam a sustentabilidade da política pública para o setor.

Todos estamos indignados, todos devemos colaborar”.