UEA incentiva cultura e esporte em São Gabriel da Cachoeira

A arte e a prática esportiva como ferramenta de inclusão social são pontos em comum de três projetos desenvolvidos no município de São Gabriel da Cachoeira (a 900 quilômetros de Manaus) e que acabaram de ser selecionados para receber apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

O incentivo acontecerá via Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex), que concedeu bolsas para acadêmicos da instituição desenvolverem atividades nessas áreas, colocando em prática o conhecimento adquirido na sala de aula. No caso de São Gabriel da Cachoeira, a maioria dos beneficiados é indígena.

Um dos projetos contemplados é o Muraci (que significa dança em Nhengatu). A iniciativa ensina o ritmo do hip-hop para crianças e adolescentes da rede pública de ensino, em situação de vulnerabilidade social. A prática é coordenada pelo aluno do curso de Educação Física do Centro de Estudos Superiores de São Gabriel da Cachoeira (CESSG/UEA), Angener Gregório da Silva. “A dança funciona como um instrumento poderoso de transformação desses jovens”, afirma Angener.

O Muraci atende 200 alunos de 23 etnias. “Através da dança, nós conseguimos reunir e promover uma interação entre diferentes povos de línguas e dialetos peculiares, coisa que eles têm muita dificuldade numa conversa informal, tamanha é a diversidade linguística”, comentou o coordenador.

Orquestra de Violão – Outra iniciativa que acaba de ser incluída como projeto de extensão é a Orquestra de Violão, do músico e acadêmico de educação física, Elias Lima de Moraes. O projeto ensina instrumentos musicais para 45 crianças e adolescentes carentes. “A UEA chegou no momento certo, pois São Gabriel é muito carente de opções para nossos jovens e o pouco que tem não vinga por falta de apoio”, disse Moraes.

‘Jogada Certa’ – O esporte também tem se consagrado como peça importante para desviar crianças e adolescentes das drogas. O fato inclusive está sendo objeto de pesquisa do acadêmico de Educação Física, Miguel Garrido. Ele coordena o projeto “Jogada Certa”, que existe desde 2015. No projeto os alunos têm aula de futebol e o único rendimento cobrado é assiduidade nos estudos e boas notas no boletim escolar.

“Esse trabalho rendeu histórias e depoimentos de pais, professores e dos próprios alunos retratando a melhoria seja no comportamento dentro de casa ou nas notas escolares. O esporte precisa desse reconhecimento”, pondera Miguel, ao lembrar que na época em que o ‘Jogada Certa’ iniciou havia uma incidência de suicídio e drogas muito alta no município.

Extensão – As tres iniciativas atendem exatamente a função da extensão, conforme reforça o pró-reitor da pasta de extensão e assuntos comunitários da UEA, Andre Tannus. “Nossa missão é formar pessoas capazes de transformarem a realidade local onde a UEA está presente. Os alunos e coordenadores do projeto receberão ajuda (bolsa) financeira até o fim da graduação, reiterando que a função da Universidade é de ir além do curso de graduação ou pós-graduação é preciso servir a comunidade”, disse Tannus, ao acrescentar que só este ano a UEA aumentou a oferta de bolsas de extensão em mais de 80% em relação ao ano passado.

Arborização – Dentro dessa perspectiva de transformação, a UEA também apóia um projeto de Educação Ambiental, Arborização e Reaproveitamento de Resíduos Sólidos, desenvolvido por estudantes do curso de biologia. Os acadêmicos plantaram mais de cem mudas de pau pretinho no canteiro central de uma avenida da sede de São Gabriel. A proposta do projeto é testar experiências com adubação, além de melhorar o visual e a sensação de calor para os moradores que vivem ao longo da avenida.