“Vamos fazer uma versão moderna do programa rodoviário de JK”, diz Meireles

Quatro pré-candidatos ao Palácio do Planalto foram convidados pela Agência Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) para discursar e responder perguntas relacionadas à mobilidade urbana e ao transporte sobre trilhos, em Brasília, nesta quarta-feira (18).

Henrique Meirelles, do MDB, Geraldo Alckmin, do PSDB, e Ciro Gomes, do PDT, participaram do evento. A pré-candidata pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, não compareceu.

O objetivo central do encontro “Fórum da Mobilidade” foi trazer ao público as principais ideias de cada presidenciável sobre investimento e desenvolvimento do transporte público e ferroviário no Brasil.

Primeiro a se pronunciar, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato pelo MDB Henrique Meirelles relembrou que parcerias público-privadas são de extrema importância para alavancar os investimentos relativos à mobilidade urbana e transporte sobre trilhos.

Em seu plano de governo, Meirelles defende a criação de um centro de discussões de planejamento urbano e de transportes, visando viabilizar a participação do setor privado.

“Queremos a locação de um transporte rodoviário que complemente o ferroviário e um planejamento das cidades com orientação federal. Existem investidores estrangeiros interessados no Brasil, mas precisamos garantir estabilidade financeira e jurídica para atraí-los. Vamos fazer uma versão moderna do programa rodoviário de JK e garantir que o Brasil se transforme num grande canteiro de obras.”

Para o emedebista, a grande porcentagem gasta com a Previdência no orçamento da União é um dos principais fatores que atrapalham a destinação de recursos para a infraestrutura de transportes.

“Em 2016, as despesas da Previdência representaram 51% do Orçamento. Em 2017, 57% do Orçamento. Isso significa que começa a não haver disponibilidade de recursos para investimento. É esse o problema.”

Para o presidente da ANP Trilhos, Joubert Flores Filho, o investimento do setor privado é necessário para o desenvolvimento da malha ferroviária.

“Está nos pontos que a gente defende que o setor de metroferrovia precisa de investimento, precisa de expansão. Sabemos que o Orçamento Federal tem uma limitação. Então é preciso tentar atrair o capital privado para contribuir com isso”.

O transporte de passageiros sobre trilhos ainda é pouco no país. Dados da pesquisa Mobilidade da População Urbana 2017, realizada pela Confederação Nacional do Transporte, mostram que apenas 0,2% dos municípios brasileiros, com mais de 100 mil habitantes, oferecem esse tipo de transporte para a população.

Reportagem, Thiago Marcolini

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