Visitação em museus do Amazonas registra aumento de 59%

Em dez meses, 111.698 visitantes passaram pelos espaços culturais mantidos pelo Governo do Amazonas

Mais de 100 mil visitantes passaram pelos nove museus administrados pela Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas (SEC), de outubro de 2017 a julho de 2018. O número é 59% maior do que o registrado em igual período, entre os anos de 2016 e 2017. Ao todo, foram 111.698 visitas aos espaços, que contam parte da história amazonense por meio de relíquias de todos os tipos. Desse total, 25% são amazonenses, o que representa, aproximadamente, 28 mil visitantes.

O mês de janeiro é o que apresenta os maiores índices de visitação, totalizando 45.701, se somados o Museu da Numismática, Pinacoteca, Museu da Imagem e do Som, Museu da Arqueologia, Museu Tiradentes, Museu do Homem do Norte, Museu Casa Eduardo Ribeiro, Museu do Seringal e Museu do Teatro Amazonas. A quantidade é maior nesta época devido às férias escolares e ao número elevado de turistas nacionais e estrangeiros.

Centro histórico – Cinco dos nove museus funcionam no Palacete Provincial, localizado na Praça Heliodoro Balbi, conhecida como Praça da Polícia, no Centro, zona sul de Manaus. Um dos destaques é a Pinacoteca do Estado, que foi fundada há mais de 60 anos e, atualmente, conta com cerca de 300 obras de artistas do Brasil e de outros países, das quais 105 são amazonenses. Em março, a exposição ganhou novo roteiro, com a curadoria do artista plástico Óscar Ramos, que adotou uma ordem cronológica para as obras, com o objetivo de tornar a exposição mais didática e compreensível especialmente para estudantes e pesquisadores, público recorrente no local.

“Resolvi arrumar dessa forma para facilitar o entendimento. A sequência inicia com as obras do século 19, passa pelo Clube da Madrugada, que para mim é importantíssimo, pois eu sou um dos fundadores do Clube da Madrugada; continua com o modernismo, até chegar à atualidade. Muita gente vem porque é bonito ver as paredes todas ocupadas com tão belas cores, com o trabalho tão atencioso de cada artista. Mas também é muito incômodo você olhar e não saber o quê que você está vendo. Na maioria das vezes, é isso que acontece. As pessoas gostam, acham bonito, mas se sentem mal de não saberem do que se trata”, explicou o artista.

De acordo com o curador, o público infantil também ganhou com a nova organização. “Eu via sempre as turmas chegarem e o que mais me preocupava era os menores, porque os adolescentes se viram. Mas as crianças e os pré-adolescentes, eu tenho impressão que eles têm mais necessidade. Eles são mais curiosos, eles escavam mais. E a nova disposição das obras contribui para o aprendizado”, pontuou.

Mais visitado – Diretamente ligado à história da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o Museu Tiradentes, que também funciona no Palacete Provincial, recebeu 22.217 visitas entre outubro de 2017 e julho de 2018. Só em janeiro deste ano, foram mais de 9 mil visitantes. O espaço possui dois salões repletos de raridades relacionadas à trajetória da corporação, como a bandeira levada para a Guerra de Canudos em 1896, comendas, espadas, fardamentos e outros itens.

“É um museu que abriga todo o acervo original do Comando Geral da PMAM. Alguns mobiliários de época são originais, e o que chama muita atenção são as nossas armaduras, que são do final do século 16. O nosso histórico artístico e cultural é muito interessante. Temos alguns adereços e acessórios militares que a gente oportuniza ao visitante experimentar, para ter aquela sensação de uma época passada. Hoje em dia, os espaços culturais estão mais interativos, possibilitando novas atividades para o visitante em geral”, afirmou a gerente do Museu Tiradentes, Aline Santana.

Para a gerente, o acervo dos museus do Amazonas está entre os mais completos e interessantes do Brasil. “O amazonense tem em mãos um belo equipamento cultural, o nosso patrimônio, que é muito importante. E é tudo gratuito! Nós oferecemos atividades didático-pedagógicas, de conhecimento, de entretenimento e basta o visitante chegar e se apropriar do museu, um espaço que é dele”, afirmou a gestora do espaço.

Mais opções no Palacete – Inaugurado em novembro de 2000, o Museu da Imagem e do Som apresenta um acervo com mais de 200 mil peças, como equipamentos de fotografia, cinema, música, televisão, rádio. Raridades como discos de vinil, fitas cassete, películas de vídeo e partituras musicais podem ser encontradas. A mais antiga das 101 câmeras fotográficas de diversas épocas data de 1860.

No Museu da Numismática Bernardo Ramos é possível encontrar moedas e cédulas dos cinco continentes, além de exemplares do dinheiro nacional, desde o Brasil Império. Móveis, medalhas, condecorações, selos, cartões-postais, fichas telefônicas, quadros, máquina registradora, máquina de somar, livros, fotografias, documentos, placas, busto, boletins numismáticos e uma pequena biblioteca especializada também fazem parte da coleção, que contém mais de 35 mil peças.

Fechando o passeio oferecido no Palacete Provincial, o Museu de Arqueologia Alfredo Mendonça e Souza apresenta a cultura material resgatada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, artefatos em pedra (líticos) e fragmentos cerâmicos de grupos ágrafos que habitaram Amazonas, no Período Pré-Colonial.

O Palacete Provincial abre as portas ao público todos os dias, das 9h às 14h, para visita guiada a todos os espaços, gratuitamente.

Outros espaços – O Museu Casa Eduardo Ribeiro funciona na rua José Clemente, 322, Centro, e possui uma exposição permanente de mobiliário residencial de época, objetos de uso pessoal e de arte que recriam o modo de vida do final do 19 e início do século 20. Também conta com um acervo textual composto por documentos digitalizados, de caráter pessoal e profissional. O local funciona todos os dias, de 9h às 14h, com entrada gratuita.

No Museu do Homem do Norte, o conjunto de peças mostra as técnicas de trabalho, o dia-a-dia das populações amazônidas, meios de transporte, habitações, alimentação, festas, artesanato, religiosidade, mitos e ritos, além de importante acervo arqueológico. Também conta com o Cine Silvino Santos, em homenagem ao fotógrafo e pioneiro do cinema na Amazônia. O acesso é gratuito e o funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h; sábado, das 13h às 20h; e domingo, das 9h às 13h.

O Teatro Amazonas também dispõe de um museu, criado com o objetivo de mostrar peças raras e equipamentos utilizados em tempos mais antigos, no teatro. Com acervo histórico e artístico, o museu contém objetos de uso pessoal de artistas, como as sapatilhas dos bailarinos Margot Fonteyn, Marcelo Mourão Gomes, Ana Laguna e Mikhail Baryshinikov, além de vasos de porcelana, jarros ingleses, escarradeiras holandesas em porcelana, lâmpadas de 1896 e materiais como programas de espetáculos do final do século 19. São 923 peças expostas e 130 em reserva técnica, organizadas conforme padrões modernos e guias bilíngues. A visitação é gratuita de terça-feira a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos e segundas, das 9h às 14h.

O Museu do Seringal Vila Paraíso apresenta o modo de ser e viver do homem do seringal. Inaugurado em agosto de 2002, o local mostra a era de ouro do Ciclo da Borracha, com móveis e utensílios que testemunham a riqueza dos seringais no auge da valorização econômica da borracha. Está localizado no igarapé São João, afluente do igarapé do Tarumã Mirim, zona rural, com acesso somente por via fluvial. O museu funciona todos os dias, das 8h às 16h. Informações sobre ingressos podem ser obtidas pelos telefones 99275-4646 e 99603-7086.

FOTO: ROBERTO CARLOS/SECOM